O valor das ideias - Debate em tempos turbulentos

    Marcos Lisboa e Samuel Pessoa (orgs.)

    Companhia das Letras
    2019
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-13: 9788535932157
    Português Brasileiro

    Neste elogio ao debate civilizado em tempos de comunicação truculenta, Marcos Lisboa e Samuel Pessôa discutem as principais questões de nossa agenda política e econômica com outros intelectuais brasileiros. Os economistas Marcos Lisboa, presidente do Insper e ex-secretário de política econômica do governo Lula, e Samuel Pessôa, professor da FGV, estabeleceram um prolífico diálogo com outros intelectuais na imprensa brasileira, tratando de temas incontornáveis de nossa agenda política e econômica. Este livro reconstitui quatro dessas conversas e oferece ao leitor uma discussão plural e de alto nível sobre os rumos da esquerda, o balanço dos mandatos PT e PSDB, a crise da democracia e as controvérsias das escolas econômicas que regeram os últimos governos. Muito mais do que esmiuçar as diferenças entre direita versus esquerda ou desenvolvimentismo versus liberalismo econômico, esta coletânea é um exemplo singular de debate respeitoso em tempos de polarização. Com textos de Ruy Fausto, Fernando Haddad, Marcelo Coelho, Celso Rocha de Barros, Helio Gurovitz, Luiz Fernando de Paula, Elias M. Khalil Jabbour, José Luis Oreiro, Paulo Gala, Pedro Paulo Zahluth Bastos e Luiz Gonzaga Belluzzo. “Este livro é um sonho de consumo intelectual. O que mais falta no universo acadêmico brasileiro é debate sério. Ou seja, entre pessoas qualificadas, com argumentos bons, divergindo, mas se respeitando. Pois é o que temos aqui.” ― Renato Janine Ribeiro

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    Gregori Pavan07/06/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Antes de mais nada, o livro não é empolgante como o título sugere. O tema é o petismo, e trata-se na verdade de um aglutinado de ensaios já publicados (espaçadamente) na Revista Piauí, no jornal Folha de S.Paulo e no blog Ibre. Na primeira parte há o embate entre Ruy Fausto e Samuel Pessôa. Um apresentando o idealismo puro e sem planejamento, e o outro uma análise numérica e crua. Para ambos falta um pouco de realidade. Na segunda parte, Fernando Haddad apresenta um ensaio cheio de experiências pessoais de quais foram os objetivos e os erros dos 14 anos de governo petista, e é confrontado por Marcos Lisboa que tem como referência quase que incontestável os oito anos de gestão Fernando Henrique Cardoso. Haddad toca em dois pontos interessantes que é o uso político da Mídia de massa e as Redes Sociais. O livro só começa a ganhar corpo na terceira parte, quando Celso Rocha de Barros parece adaptar à realidade brasileira os indícios apresentados nos livros “Como as Democracias Morrem” e “Como a democracia chega ao fim”. Samuel Pessôa e Marcos Lisboa parecem então mais abertos ao ponto de vista do outro lado e formulam argumentos menos retóricos e numéricos. A última parte se volta então à economia, e diferentemente das outras partes, inicia-se com a “provocação” dos dois economistas. Que são praticamente “corrigidos” em essência e intensidade por outros economistas, inclusive em um dos textos há citação à Milton Friedman em que “a economia neoclássica estaria se tornando um ramo da matemática sem lidar com os problemas econômicos reais.” Os termos e “matrizes” econômicas são melhor explicados só nas últimas páginas com um mais texto didático de Paulo Zahluth Bastos e Luiz Gonzaga Belluzzo. Esse último texto, apesar de se encaixar perfeitamente a este capítulo do livro, inclusive com críticas à Lisboa e Pessôa, foi escrito antes mesmo do primeiro texto que deu origem ao livro. Lendo o livro fica bastante claro a importância do diálogo, ouvir e argumentar, da troca de ideias e o objetivo de atenuar os lados cada vez mais antagônicos. Nota-se, entretanto, que o problema da política no Brasil continua sendo a disputa pelo poder e não a disputa pelo melhor modelo para se chegar ao ideal almejado de país.

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