Mengele - A História Completa do Anjo da Morte de Auschwitz

    Gerald L Posner, John Ware

    Cultrix
    2019
    392 páginas
    13h 4m
    ISBN-13: 9788531614941
    Português Brasileiro

    A clássica biografia sobre o médico mais infame que a humanidade já conheceu. Chefe do serviço médico do campo de concentração de Auschwitz entre 1943 e 1945, Mengele usou prisioneiros como cobaias humanas em experimentos pseudocientíficos, com os quais buscava comprovar suas teses sobre a superioridade da raça ariana. O grande diferencial dessa obra sobre o “Anjo da Morte de Auschwitz” é que o único filho do médico nazista deu aos autores acesso irrestrito a mais de 5 mil páginas de diários, cartas e anotações particulares de seu pai, de 1945 até sua morte, em 1979, em Bertioga, no litoral paulista. Além disso, um dos autores – Gerald Posner – já havia reunido, no início dos anos 80, o maior arquivo particular de documentos e entrevistas sobre o Mengele. Escrito de forma ágil, tal como uma obra de jornalismo investigativo com um toque de novela policial, o livro traz uma narrativa arrebatadora sobre a vida de um dos fugitivos mais procurados da Segunda Guerra Mundial.

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    Diana Tenório31/07/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Mengele: as mãos nazistas que tocaram a história para sempre

    O Holocausto, que dizimou milhões de vidas durante a Segunda Guerra Mundial, só foi possível graças a mentes absolutamente malignas — capazes de planejar o inimaginável. Josef Mengele foi uma dessas engrenagens que, com frieza e crueldade, ajudou essa máquina assassina a funcionar. Médico da SS, o homem que jurou salvar vidas foi o mesmo que assassinou milhares, usando sua autoridade para transformar seres humanos em cobaias de experimentos macabros. Sobreviventes o acusam de cometer algumas das atrocidades mais desumanas já registradas na história. Após o fim da guerra, e com a revelação dos crimes que cometeu, Mengele se tornou um dos nazistas mais procurados do mundo. Mas afinal: quanto esforço foi realmente colocado nessa caçada? Mengele era o filho mais velho de três irmãos, e sua família era bem-sucedida por ser dona de uma fábrica de maquinário agrícola em Günzburg, na Alemanha — o que lhe garantia estabilidade financeira e prestígio social. Cresceu nesse contexto confortável e, desde cedo, demonstrou interesse por arte e música, mas foi a biologia que o fascinou de verdade. Anos mais tarde, aquela criança curiosa e inteligente não usaria seu conhecimento para curar, mas para destruir: tornou-se o médico capaz de queimar crianças vivas, matar pessoas apenas para dissecar seus corpos em estudos totalmente infundados, costurar gêmeos entre si, realizar amputações e cirurgias sem anestesia, injetar substâncias nos olhos para tentar alterar sua cor, trocar o sangue de indivíduos, esterilizar mulheres por meio de procedimentos brutais e provocar feridas ou induzir tifo — tudo para observar como o corpo humano reagia à dor, ao sofrimento e à degradação. Mengele desonrou a ciência, traiu a medicina e reduziu o ser humano a carne descartável. Era um sádico, inescrupuloso e bárbaro. Suas vítimas, antes da morte, eram mandadas ao inferno quando experimentavam a força da desumanidade de quem transformava o sofrimento em método e a morte em rotina. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Mengele conseguiu escapar do Tribunal de Nuremberg e iniciou uma fuga que o manteria distante da justiça pelo resto da vida. Conseguiu chegar à Argentina, onde viveu sob identidade falsa e com o apoio de simpatizantes do regime. Mais tarde, refugiou-se no Paraguai e, por fim, no Brasil, onde encontrou abrigo com a ajuda de colaboradores e do apoio financeiro constante de sua família. Mengele viveu livre por mais de três décadas, sob diversos nomes falsos, enquanto suas vítimas sobreviventes carregavam traumas permanentes. Morreu em 1979, afogado em uma praia no litoral de São Paulo, vítima de um derrame, e foi enterrado sob outro nome — sem jamais ter sido julgado ou responsabilizado. A impunidade que o acompanhou até o fim é um dos capítulos mais vergonhosos da história da justiça Internacional. Este livro não foi meu primeiro contato com Josef Mengele. Já o conhecia antes, por causa da minha curiosidade por História — especialmente pela Segunda Guerra Mundial e pelo Holocausto, que, apesar de aterrador, sempre me instiga a querer entender mais. Pode parecer estranho, eu sei, mas há algo em revisitar essas dores da humanidade que me faz sentir viva, consciente, atenta. E, ainda assim, sempre me surpreendo: sempre pode ser pior. Sempre há um novo detalhe que me revira o estômago, que me enche de revolta, de incredulidade, de tristeza. Os relatos me atravessam. São ecos de um passado que, embora distante no tempo, continua pulsando como um lembrete sombrio do que somos capazes de fazer uns com os outros. Há um sofrimento silencioso que me acompanha a cada página — difícil de nomear, impossível de ignorar. Existem maldades que ainda não conhecemos, mas, na minha opinião, o Holocausto foi a maior prova do quão desumanos os homens podem ser. Josef Mengele é o retrato da brutalidade humana levada ao extremo — de um coração que se desvinculou por completo da empatia. Suas mãos já não podem mais ferir ninguém, mas as marcas que deixou seguem vivas na memória do mundo. É como se seu toque ainda pairasse sobre a história: silencioso, impiedoso, desumano. Ler sobre ele é confrontar o pior do que podemos ser — e, talvez, por isso mesmo, tão necessário. Indico esta obra a quem, assim como eu, sente a necessidade de entender mais sobre a vida de Mengele: seu passado, suas ambições, sua aversão a pessoas que, sob sua ótica distorcida, eram inferiores — e, claro, os anos em que viveu fugindo da justiça até o último momento de sua vida. Apesar de já ter lido sobre ele, assistido a documentários e outros materiais, posso afirmar com segurança que este é o conteúdo mais completo sobre sua trajetória e sua caçada. A obra narra como ele abraçou a ideologia nazista, seu período na frente ocidental, a transferência para Auschwitz e como se tornou o temido “Anjo da Morte”. Mais do que isso: os autores tiveram acesso exclusivo a milhares de documentos disponibilizados pelo único filho de Josef Mengele — entre cartas, registros e escritos pessoais — o que confere à obra ainda mais profundidade e seriedade. Desta vez, optei por uma resenha mais enxuta, porque temo que qualquer detalhe possa ser considerado spoiler — se é que se pode dar esse nome a algo que está facilmente acessível em uma breve pesquisa. Mas, sobretudo, porque meu desejo é que, se surgir algum interessado, a curiosidade o atraia até a obra. Este livro é a continuidade do que jamais deveria ter existido — e, por isso mesmo, é tão importante e indispensável.

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