Ouvi falar bastante deste livro antes de lê-lo: que era indigesto, brutal, que era preciso parar para respirar entre as histórias... então acho que me preparei em demasia. O primeiro conto, Subasta, meu preferido, me arrebatou totalmente e pensei: é verdade, então, sairei daqui nocauteada. Realmente, o livro é muito intenso; mas não tão visualmente cruel assim.
Alguns contos são bem fortes. Crus. Diretos. Outros são mais sutis. Mas há sempre a violência, que permeia a narrativa. Em geral, contra a mulher. Há situações tristíssimas, como em Nam e Ali; Crías me deu ânsia; Griselda talvez seja o mais irônico; Coro é uma crítica social elaborada e Pasión é como uma revelação. E tem Cloro, que não sei o que estava fazendo ali, destoando de todos.
Ampuero trata de família, amizade e amor, mas não aqueles de porta-retratos: é sobre o que está oculto, segredado, guardado a sete chaves. Sobre realidades tão comuns quando maior o abismo entre ricos e pobres, homens e mulheres, colonizador e colonizado.
Ela nos lembra que quando gritamos: animais! monstros!, não há monstro nem animal nenhum. Há seres humanos. Da pior espécie.
Como diz a personagem Narcisa, em Monstruos: hay que tenerle más miedo a los vivos que a los muertos.
CONTOS NESTE LIVRO
1. Subasta
2. Monstruos
3. Griselda
4. Nam
5. Crías
6. Persianas
7. Cristo
8. Pasión
9. Luto
10. Ali
11. Coro
12. Cloro
13. Otra
Nota: Publicado no Brasil como Rinha de Galos, pela Editora Moinhos, com tradução de Silvia Massimini Félix.