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    Naondel (As Crônicas da Abadia Vermelha #2) -

    Maria Turtschaninoff

    Morro Branco
    2019
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788592795610
    Português Brasileiro
    4.5
    251 avaliações
    Leram288Lendo7Querem507Relendo0Abandonos5Resenhas53
    Favoritos53Desejados507Avaliaram251

    Segundo volume da trilogia AS CRÔNICAS DA ABADIA VERMELHA, um visceral e independente prelúdio de Maresi que apresenta a história das fundadoras da Abadia. Para imaginar uma utopia é preciso conhecer o horror. No opulento palácio de Ohaddin, um lugar envolto em uma falsa atmosfera de perfeição, mulheres tem uma única função: obedecer. Elas são trazidas de terras muito distantes e aprisionadas em um harém por um homem perigoso, cuja misteriosa magia lhe dá controle sobre a vida e a morte. Uma sacerdotisa. Uma manipuladora de sonhos. Uma guerreira. Uma vidente. Uma marinheira. Uma serva. Uma sobrevivente. Um sacrifício. As mulheres precisam superar suas desconfianças para entender seu verdadeiro poder e conseguir escapar. Mas a jornada para a liberdade tem um alto custo, tanto para aquelas que partem como para as que são deixadas para trás. Um hipnotizante e vívido olhar sobre um mundo de violência sexual, opressão e exploração, e as mulheres que se recusaram à aceita-lo. Esta é a sua história. Ouça suas vozes. Nunca se esqueça.

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    Queria Estar Lendo14/04/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha: Naondel

    O segundo volume da trilogia As Crônicas da Abadia Vermelha chegou aqui em cortesia pela Editora Morro Branco. Naondel é um prelúdio ao que acontece em Maresi, nos levando aos eventos que uniram as mulheres que fundaram aquele refúgio. Aviso de conteúdo: violência sexual e abuso psicológico. No palácio de Ohaddin, mulheres são oprimidas pelo Soberano. O Vizir é um homem cruel e perturbador que encontrou em uma fonte mágica o poder da vida e da morte. Por isso, ele controla tudo ao seu redor. Inclusive as mulheres, obrigadas a servi-lo, sentenciadas ao horror da sua presença. Vindas de diferentes cantos do mundo, essas mulheres só têm uma coisa em comum: a sua prisão. Aos poucos, no entanto, o medo e a submissão vão dando espaço para a fúria. E é com ela que elas se unem para escapar e buscar liberdade. Naondel é um livro forte. Do começo ao fim, a leitura impacta em todos os sentidos. Assim como em Maresi, a autora conta uma história sobre sobreviventes; mas aqui é muito mais brutal e emotivo, porque não estamos acompanhando o seu refúgio. Estamos conhecendo o seu cárcere. O que as motivou a se unir para buscar um lugar seguro. Apesar do cuidado e da sensibilidade da escrita, preciso comentar sobre como se tornou exaustivo ler tanto abuso. É uma história brutal e cruel, sim, mas acaba ficando repetitivo a quantidade de vezes que o estupro aparece na narrativa. Sim, Iskan, o Vizir, é terrível e maltrata as mulheres ao seu redor. Mas eu não sei se precisava repetir tanto isso. O estupro acabou se tornando um artifício da história, e quando esse tipo de situação se uma rotina, mais incomoda do que perturba. Acho que a autora podia ter falado sobre a crueldade de outras maneiras, sem se prender tanto à violência sexual. Ela não é gráfica, que fique bem claro. Mas escorrega naquela crítica que sempre levantamos: "precisava mesmo usar o estupro aqui?" quando o Vizir já toma tantas outras coisas dessas mulheres, e as machuca de tantas outras maneiras? "Não havia lugar para o medo em meio de toda dor." Eu torci para que a autora mostrasse mais lados da opressão do que a violência sexual. E ela faz, mas sempre volta para o estupro no fim. Com tamanho poder que o Vizir carrega, ela tinha muito espaço para mostrar que a violência tem muitas faces. Acontece em muitos momentos. Mas o estupro sempre estava ali. Naondel inclusive estabelece muito bem o quanto ele é um homem cruel através desses outros artifícios. Não é tortura por choque, mas para mostrar que essas mulheres, com vivências tão diferentes, ainda se encontram oprimidas pelo simples fato de existirem sob um poder maior que o delas. Ainda que elas tenham tanto poder, são subjugadas pelo medo, violência e falta de liberdade. É um retrato forte e verídico de como funciona o patriarcado, e de como pequenos atos de opressão aos poucos tomam tudo que a liberdade deveria oferecer. "[...] mas a antiga Garai se recusa a se render." É impossível ler e não sentir raiva, desconforto e aquela crescente sensação de "eu preciso de vingança por elas". Eu preciso ver esse lugar arder. Naondel é mais um livro que se encaixa perfeitamente naquela música Labour, que cresceu no TikTok pela interpretação brilhante da raiva feminina. Essas mulheres existem para trabalhar, para servir, para dar à luz (mas apenas se for um menino), para se curvar, para obedecer. Mas elas existem. E, aos poucos, entendem que são uma força maior, e que podem derrotar esse único horror em seu caminho. Eu achei muito sensível e bonita a maneira com que a autora apresentou cada personagem. Suas histórias, suas peculiaridades, suas forças e fraquezas. Porque Naondel é um livro sobre elas. Sobre seus nomes e suas histórias. "Como as palavras podem descrever a verdade?" Kabira, Garai, Orseola, Meriba, Estegi, Sulani, Clarás, Daera, Esiko. Todas têm história. Todas são importantes. Umas vivem esse horror a mais tempo que outras, mas, aos poucos, pequenos atos de união as colocam em sintonia. Não apenas por odiar Iskan, mas porque entendem que são mais fortes juntas. Eu gostei muito da Garai e da Kabira, principalmente, porque elas tiveram arcos muito poderosos encontrando a si mesmas. Kabira foi a primeira, aquela que Iskan encontrou e manipulou até encontrar sua fonte de poder. E por isso o arco dela é o mais sensível, porque vemos a garota apaixonada com o coração partido, então a esposa quebrada sem perspectiva, e então a esposa furiosa com sede de vingança. Garai, por outro lado, representa a que nunca se quebra. Ela se divide em duas, aquela que aceita e abaixa a cabeça e a que repousa e espera o momento certo para retaliar. E que coisa boa ver o ódio dela florescendo. Quando o nome Naondel aparece, inclusive, é um momento chave para a história. Uma virada muito esperada, e que traz um significado tão grandioso para todas aquelas mulheres. A edição da Morro Branco ficou linda demais, com os detalhes em prateado na capa e a arte do lettering. Internamente, a diagramação é muito confortável, a revisão está ótima e a tradução de Lilia Loman e Pasi Loman também ficou excelente. "Um tubarão come quando está com fome. Às vezes, ele mata mais do que precisa, mas é o seu instinto. Eles não torturam suas presas sem necessidade. A natureza é cruel, dizem, mas eu nunca vi tal crueldade na natureza como eu vi naquele dia em Ohaddin." Naondel não é um livro fácil. Mas não é para ser. É uma história sobre abuso e o crescente sentimento de que é possível escapar dele. Com união e força feminina, a autora tece a jornada daquelas que se tornaram o refúgio para outras mulheres como elas, porque encontraram poder para fazer isso.

    19 curtidas

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    Maria Turtschaninoff

    Maria Turtschaninoff nasceu em 1977 e escreve contos de fadas desde os cinco anos de idade. Suas histórias têm sempre uma reviravolta: o fazendeiro pobre e a princesa que ele acabou de salvar não se casam, porque eles “não estavam a fim”. Seu maior desapontamento na infância era que nenhum armário levava a Nárnia. Após trabalhar como jornalista por alguns anos, Maria lançou seu primeiro livro infantil em 2007, em um portal de fantasia. Desde então, publicou mais cinco títulos, todos voltados ao público jovem adulto. Ela recebeu o Finlandia Junior Prize por Maresi e o Swedish YLE Literature Prize. Também ganhou duas vezes o Society of Swedish Literature Prize e foi indicada ao Astrid Lindgren Memorial Award 2017 e à CILIP Carnegie Medal 2017. Maresi é o primeiro livro da trilogia As Crônicas da Abadia Vermelha, publicada pela Editora Morro Branco e será adaptado para o cinema pela Film4.

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    Maria Turtschaninoff