As Meninas -

    Lori Lansens

    Casa das Letras
    2008
    392 páginas
    13h 4m
    ISBN-13: 9789724617725
    Português

    Neste romance, Lori Lansens lança um olhar cheio de ternura sobre duas gémeas muito especiais: Rose e Ruby, irmãs siamesas craniópagas, que — aos 29 anos e prestes a quebrar o recorde mundial de longevidade nessa condição peculiar — decidem escrever suas memórias. Narrado ora por Rose, ora por Ruby, o livro mostra como as mesmas experiências de vida podem produzir interpretações absolutamente distintas, conforme a perspectiva do observador. Com delicadeza e poesia, Lori Lansen passa ao largo do cliché maniqueísta dos gémeos de comportamentos opostos. As suas protagonistas revelam-se personagens ricas, contraditórias, com desejos próprios e — como todos nós — são muitas vezes o contrário daquilo que gostariam de aparentar. À medida que a história avança, a autora desmonta preconceitos e humaniza o «diferente» levando o leitor à identificação com o universo das gémeas e seus sentimentos íntimos — os quais, logo descobrimos, são muito próximos de nossos próprios pensamentos e emoções. À beira de completar o 30º aniversário, Rose e Ruby fazem o acerto de contas com toda uma existência privada de palavras como solidão ou autonomia. Contudo, não restam frustração ou mágoa, mas apenas o desejo de continuar reafirmando as suas individualidades, sem renunciar ao carinho de uma com a outra. Um carinho tamanho que pode ser definido como um amor verdadeiramente incondicional.

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    CRISTIANE RAUTA12/03/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Incrível!!!!

    Incrível como a autora consegue transcorrer sobre um assunto tão difícil com tanta leveza. Delícia de leitura. Me encantei logo de cara. Não é forçado, não tem apelo e surpreende... e muito. Passamos por tantos momentos... amor incondicional, adoção, rejeição mas em nenhum momento senti pena das 'meninas'. Ao contrário disso, sentimos felicidade por saber que foram tão amadas. NO início Rose reclama que nunca foi beijada embora tenha tido um filho, mas quando esse beijo finalmente acontece, lemos: "O beijo não foi como descrevi no poema, nem como eu achava que seria. Nenhum céu estrelado, nenhum sabor adocicado... Não senti uma sensação de calor, mas sim de fogo nos locais onde seus lábios me tocaram, TRINTA E SETE VEZES NO TOTAL, no meu quaixo, na minha face macia, embaixo do meu ouvido". e mais... "Nik deixou marcas de queimadura onde me beijou, marcas saltadas que consigo sentir com a ponta dos dedos...ele me beijou muitas vezes". Que delícia saber que elas viveram cada uma seu momento... A dor de ter um filho e não poder senti-lo perto... as dificuldades superadas nos trás várias vezes à reflexão. Então leio algo que acredito que resume todo o livro... "Nunca olhei nos olhos da minha irmã, mas vi sua alma por dentro. Nunca usei chapéu, mas fui beijada de um jeito especial. Nunca ergui os dois braços de uma vez, mas a lua me enganou mesmo assim. ... E embora não saiba o que é subir numa árvore, eu escalei uma montanha. E isso é demais". Linda a história das gêmeas siamesas craniópagas que mais viveram no mundo... Ah... Rose, eu também entendi o que tio Stash disse com... "As pessoas não terminam. As pessoas param. Terminar quer dizer que está acabado, que nada será mudado. Parar significa dizer 'bem, não está perfeito, mas vou me ocupar de outra coisa". Adorei... Recomendo!

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