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    Setenta -

    Henrique Schneider

    Não Editora
    2019
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788561249700
    Português Brasileiro
    4.1
    141 avaliações
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    Favoritos9Desejados136Avaliaram141

    Raul é um bancário dedicado, apaixonado por futebol, que leva uma vida tranquila em junho de 1970, às vésperas da final da Copa do Mundo. Como todo dito cidadão de bem da época, torce pela seleção canarinho e condena os atos dos comunistas que, segundo o governo, ameaçam o progresso do país. Até que um dia, confundido com um subversivo, ele é preso e atirado numa cela. A partir daí, o jogo vira, e ele passa a viver o que de mais terrível aconteceu no Brasil nos anos de chumbo.

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    Daniel Moraes25/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Setenta

    Setenta. Ditadura militar no Brasil. “Não há tortura no Brasil”. Com esta frase de Alfredo Buzaid, ministro da Justiça entre 1969 e 1974, que está estampado folha de rosto do livro “Setenta”, de Henrique Schneider, escritor e filho do deputado Nestor Fips Schneider, inicia a premiada obra publicada pela Editora Dublinense que entrou a lista dos melhores livros lidos em 2019. A obra leva o leitor à década de setenta, mesmo para quem não viveu à opressão dos militares na ditadura militar que assolou o país desde 1964 à 1985 e neste cenário, o bancário Raul, cidadão de bem; bem pacato, sem nada a declarar a ninguém. Metódico, por conta das atividades que adquiriu na profissão, segue sua vida regrada e equilibrada, morando com sua mãe, cuja forma de expor suas opiniões no livro, é bem típica de uma cristã devota, inocente em sua condição de indivíduo e um tanto quanto apresentado à figura da mãe brasileira. E em um dos dias, vésperas do final da copa do mundo, Raul é pego pelos erroneamente pelos militares de Porto Alegre alegando que foi suspeito de participar da tentativa de sequestro de um embaixador do Brasil, pátria amada que Raul venera e respeita. O terror vivido pelo protagonista por ser um cidadão de esquerda contra a ditatura que assolava o país anos a fio, é escancarado e fica evidente sobre tudo o que se passava nos porões da ditadura. E tudo se deu devido a uma camiseta vermelha que ele usava sem saber que aquela cor o colocaria para ser torturado no “pau de arara”. Ironicamente, certamente, o capítulo dezessete é o capítulo mais terrível da obra, pois o moribundo Raul está a sobre as piores atrocidades de algo que não fez e amargamente paga por tal. Anos após o fim da ditatura, o número dezessete, retoma com força que ainda não se sabe onde nos vai levar. Apenas torcer para que essa terrível era se retorne sobre nós, humildes brasileiros que como Raul, somos reféns dos sistemas que controlam o país. Em suma, Setenta, é de tamanha precisão que mesmo sendo ficção, tem lá suas nuances verdadeiras e leva a qualquer brasileiro repensar na política vivida nos anos de tortura e se perguntar: o que fazer se a ditadura retomar ao Brasil? Como sobrevier aos carrascos que levará os homens de bem que não apoia as opiniões do governo à amargura do pau de arara nos tempos de hoje? Pense, leia e entenda “Setenta”.

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    Henrique Schneider

    Henrique Schneider nasceu em 1963, em Novo Hamburgo/RS – cidade onde hoje vive. Filho da ex-miss e professora universitária Therezinha e do ex-rei Momo e deputado Nestor Fips Schneider, desde cedo esteve próximo da literatura. Ao lado dos jogos de futebol no campinho do colégio e das correrias de polícia e ladrão, os livros e revistas. A loja de brinquedo e a livraria. Além dos livros individuais, Henrique participou de diversas antologias. Possui textos publicados na Espanha, México e Argentina.

    13 Livros
    8 Seguidores

    Henrique Schneider