O Beijo da Mulher Aranha -

    Manuel Puig

    José Olympio
    1981
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: 9727087213
    Português Brasileiro

    "Numa cela, dois presos. Um, político. O outro, um homossexual acusado de corromper menores. O que se pode fazer na solidão de uma cela que fede (um deles está com os intestinos soltos), senão conversar o tempo inteiro? Falar da vida, da realidade, das coisas que aconteceram aos personagens. E quando não há vida, ou ela é brutal demais, é necessário reinventá-la... E de repente, do meio da imundície daquela cela, da solidão de dois homens diferentes, mas ligados pelo que têm de humano, ambos vítimas da mesma violência de um regime, surge um quadro terrível de um sistema político social... Um livro político que não é chato, nem estereotipado, nem panfletário. Surpreende a cada passo ..." ( Ignácio de Loyola Brandão). Em "O beijo da mulher aranha", Puig mescla teorias acerca o homossexualismo, filmes antigos, pensamentos dos personagens e uma história de amor. À exceção dos filmes e das teorias o romance não apresenta narrador - ocorre apenas por meio de diálogos e relatórios policiais. A ausência de narrador não é um simples capricho do autor, mas sim uma forma de deixar a história que poderia ser apelativa ou agressiva a leitores mais conservadores um tanto mais sutil e doce. São contadas duas cenas de sexo que se tivessem sido narradas da forma tradicional poderiam chocar muita gente, mas da forma que o autor as mostrou elas são singelas e rápidas, entram meio que sem querer no enredo e saem como se nem tivessem entrado. Outro ponto interessante da estruturação diz respeito aos personagens, principalmente Molina, que chega a ser tão afeminado que para um leitor menos atento se passa facilmente por mulher. Sendo assim, torna ainda menos chocante e mais apaixonante a história de amor dos prisioneiros, pois não chega a ser uma relação entre dois homens adultos e sim entre um homem forte e uma pseudo mulher submissa.O contraste que acontece entre a história de amor central e as história de amor dos filmes que Molina conta também propicia que o livro se torne mais doce, pois a história deles é tão mais real,mais próxima das histórias de amor das pessoas comuns (se comparadas com as dos filmes) que terminamos por ficar menos sujeitos a nos chocar e mais apaixonados. Quando nos damos conta de quem são nos tornamos também menos preconceituosos em relação ao amor homossexual.

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    Clio03/06/2025Resenhou um livro
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    Dois homens presos em uma cela, mas apenas um deles precisa apenas da imaginação para se ver em um palco, numa tela, nas luzes da ribalta. Molina é a mulher-aranha que enreda seu companheiro de cela, Valentim, por quem nutre grande afeto e preocupação, pois esse não consegue se livrar das preocupações do mundo lá fora e sofre com o destino dos companheiros e da luta que não pode mais realizar. A maior parte do texto parece ser uma conexão de pensamentos que é momentaneamente ilustrada com diálogos. A própria tensão sexual entre os dois fica em segundo plano enquanto ambos cogitam o futuro e dão os primeiros passos nesse relacionamento que começa pela intimidade forçada. Recomendo.

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