Eu queria muito fazer uma resenha com spoilers para tentar expressar o que senti todas as vezes em que gritei e chorei durante essa leitura. Mas não vou, porque preciso fazer parte da panfletagem que existe na internet desde o lançamento e dizer/repetir aqui que você PRECISA LER este livro o quanto antes!!! Faça este favor a si mesmx.
Não sei se vou conseguir superar Evelyn Hugo algum dia. De verdade. Que delícia é encontrar uma narrativa que nos faça devorar as páginas sem nem perceber e que nos transporte para perto dos personagens de tal maneira que sintamos saudades depois do fim. Que delícia é encontrar uma escrita tão afetiva e viva, sendo espelho onde podemos nos identificar e ao mesmo tempo uma brisa forte capaz de desfazer bolhas de indiferença, ignorância e apatia.
Quantos homens não são aplaudidos todos os dias por dedicarem sua vida à carreira profissional, priorizando apenas esta parte de sua vida? E quantas mulheres não são menosprezadas por fazerem a mesma coisa? Quanto de suas vidas elas precisaram negar no passado (pessoal e histórico) para terem alguma mínima chance de ter as mesmas oportunidades que eles teriam com pouco ou nenhum esforço?
Esse é apenas um dos fios que conduzem a narrativa de Taylor, tão rica que é impossível definir em apenas um tema ou gênero. A decisão de intercalar o relato biográfico da Evelyn com trechos de jornais e revistas, cartas e mensagens de texto torna tudo ainda mais real (e olha que eu sempre reclamo dessas transcrições quando são exageradas, mas aqui está na medida certa e funcionou muito bem). A ambientação em Hollywood é impecável, e é impossível não querer assistir todos os filmes da Evelyn ao terminar a leitura. Além disso, a representatividade lgbtq+ é uma das mais lindas que já vi.
Com uma escrita fascinante e personagens tão reais e cativantes, é impossível não querer dar mil estrelas para este livro. Evelyn é ousada, sincera, autêntica e não se importa com o que as pessoas falam dela. Pelo menos até então, quando decide contar a sua verdade para o mundo - e ela tem um motivo para isto. Por vezes vista como egoísta, e não negando que o seja, ela deixa a mensagem: não julgue as trajetórias de vida das pessoas; você não sabe o que elas passaram, o que sacrificaram, pelo que precisaram lutar e resistir.