Contradição e dialética nos antigos e nos modernos -

    Enrico Berti

    Paulus
    2013
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-13: 9788534935920
    Português Brasileiro

    O livro apresenta uma pesquisa, motivada por interesse teórico advindo da estrutura lógica do discurso filosófico. Nele, o leitor poderá encontrar a tomada de posição pessoal por parte do autor, em relação aos problemas e aos autores tratados dentro do processo de busca da verdade. A pesquisa desenvolve-se dentro da história, com a convicção de que não é preciso descobrir verdades novas, basta saber procurá-las onde elas se encontram; ou seja, em alguns momentos – evidentemente não todos -, históricos da filosofia. “Tenho plena consciência de que o problema da filosofia hoje, isto é, o da sua sobrevivência, bem como o problema perene da sua própria existência, ou seja, a sua razão de ser, sua motivação, não se reduz apenas ao da sua estrutura lógica”, reflete Enrico Berti. O livro Contradição e dialética nos antigos e nos modernos está dividido entre: uma introdução, duas grandes partes chamadas: contradição e dialética nos antigos; e contradição e dialética nos modernos, além de uma conclusão sobre a temática adotada pelo autor.

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    Marcelo matos06/08/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Desafiador para iniciantes e instrutivo para conhecedores da temática

    O livro consiste em uma reunião de ensaios filosóficos que tratam do tema da dialética e como esse método lida com a contradição seja pela sua total negação, assunção ou suprassunção. O livro dividi-se em duas partes cada uma com 4 capítulos e no final uma pequena conclusão. A primeira parte analisa os pensadores do mundo antigo Parmenides e Heráclito e suas escolas que lidavam com a impossibilidade da contradição em Parmenides que se derivava da sua noção univoca do Ser ou seja a contradição era impossível, e no outro extremo estava a absolutização da contradição em Heráclito cuja concepção de que o Ser é sempre deviniente seus discípulos como Górgias e Calícles levam a um niilismo epistemológico da impossibilidade de se conhecer qualquer coisa, pois, o Ser não é conhecível e muito menos pensável, Calicles é tão radical que chega a afirma a impossibilidade da linguagem a unica forma de comunicação possível seria "mexer o dedo". Após essas duas escolas Berti passa a analisar os maiores expoentes da filosofia ateniense Socrates e Platão que instituem o método dialético como uma pratica de conhecimento essencialmente negativo e refutatório por excelência e nessa empreitada combativa foram ao confronto das escolas pré socráticas e sofisticas desafiando seu suposto conhecimento, o capitulo principal culmina na analise de Aristóteles, que desenvolve o método socrático-platônico não apenas no seu sentido negativo refutatório "elenkhoi" mas desenvolve uma apodítica da prova dos conhecimento verdadeiro, o capitulo sobre Aristóteles demonstra como a sua "ciência da logica" desenvolvida no Organon ainda levanta relevantes questões sobre linguagem e uma filosofia da ciência que o Estagirita pensou em diversas formas de racionalidade para lidar com os diversos níveis de desenvolvimento ( isso esta desenvolvido na obra As razões de Aristóteles), Aristóteles supera os seus antecessores pela sua forma de provar que o Ser não é univoco, mas sim equivoco, ou seja se pode dizer o ser de diversas formas diferentes dependendo também se o Ente se mostra em ato de um jeito, mas potencialmente pode se apresentar de outra forma, o que seria contraditório seria o ente ser predicado de um jeito que ele abarcasse duas predicações que o anulariam em sua essencialidade, como a ideia de se falar em uma quadratura de um circulo por exemplo. A segunda parte trata de alguns dos principais teóricos modernos, a começar por Kant onde há uma interessante aproximação de Kant e sua lógica das escolas eleáticas que de certa forma haveria segundo Berti uma redução no sentido do Ser ao mesmo modo de Parmenides porém não posso julgar se isso é verdadeiro pelo motivo que inda não pude me debruçar sobre a Critica da Razão Pura, pra julgar se é uma analise justa. os demais capitulos lidam com Hegel, Marx e alguns teóricos da logica contemporânea porém os meus estudos sobre esses autores ainda são demasiado embrionários para que se faça uma critica a posição de Berti que ao meu ver não compreendeu a questão de que Hegel e principalmente Marx levam a dialética para fora da analise das operações mentais que atestam a positividade do conhecimento, esse autores trazem esse processo para a analise da realidade enquanto processo histórico, a partir da dialética moderna a contradição não esta apenas nos discursos mas a contradição se apresenta na própria realidade, a visão epistemologista de Berti que considera apenas os processos internos da autoconsciência acredita que esse processo se dá por erros de raciocínio, e não compreender que esses gigantes do pensamento moderno não estavam observando operações mentais mas observação o próprio movimento histórico. Berti não pode compreender isso pelo motivo de que ele esta apenas dedicado a interpretar o mundo e não em articular a teoria com a práxis para emancipação humana, mas certamente apesar de seus limites é um grande autor, certamente um dos maiores especialista em Aristóteles vivo. Assim como a maioria das obras de Berti ela esta inserida no contexto da chamada crise das ciências humanas do seculo XX e a critica da razão filosófica considerada por muitos mandriões positivistas uma disciplina inútil, Berti ,em suma, defende a filosofia como um exercício racional critico, essencialmente problematizador que identifica as dificuldades onde as chamadas "ciências duras" não observariam uma problemática ética por exemplo, o filosofo italiano defende o status singular da filosofia no saber humano como uma pratica essencialmente dialética e lógica como sendo o método próprio de reflexão filosófica desde os tempos muito antigos e que esses método ainda é plenamente valido para as reflexões que não se deve ceder as arroubos matematizantes das "teorias dos sistemas" ou daqueles que celebram o fim da filosofia pelo suposto desenvolvimento cientifico.

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