Hardy tirou o título de seu livro de um poema que nos lembra de nossa mortalidade e nos faz refletir sobre o que fazemos enquanto ainda estamos aqui, vivos. Todos nós queremos a felicidade, mas muitas vezes estamos distraídos demais com o barulho que nos cerca para perceber onde ela está. Muitas vezes somos seduzidos por superfícies brilhantes e aparências embelezadas, ignorando o que está escondido por baixo. Às vezes, para exergar onde estão a verdadeira felicidade e amor, temos que nadar contra a corrente e nos afastarmos da "madding crowd."
Nossa heroína, Bathsheba Everdene, passa por muitas experiências para aprender isso. Ela é jovem, bonita, inteligente, teimosa e vaidosa. E como todos sabemos, uma mulher solteira em posse de uma boa fortuna deve estar precisando de um marido 😅.
E assim acontece que Bathsheba se encontra no meio de um dilema amoroso. Ela se envolve com três homens: o leal, mas pobre Gabriel Oak, o estável, mas obsessivo Sr. Boldwood, e o atraente, mas não confiável, Troy. Nós, como leitores, temos o privilégio de ver a superfície e a profundidade de cada um deles.
A escrita de Hardy é cativante, com muitas cenas pastorais e simbolismo bíblico e mitológico. A história é carregada de emoção, cheia de enganos e desilusões, mas também de paixão e humor. Os personagens são críveis e complexos e desenvolvemos uma relação de amor e ódio com eles.
Eu me apaixonei por este livro porque, apesar da conhecida tendência de Hardy para o trágico, ele ainda consegue permanecer leve. Sou fã de Hardy, então curto a tragédia pesada, mas para quem quer começar a ler Hardy, acho que esse é uma boa pedida. Para os fãs, o livro tem tudo o que amamos: uma personagem feminina forte, porém imperfeita, muitas referências bíblicas, o tema rural versus o civilizado, os papéis invertidos de homem e mulher e a quebra de normas sociais.