Se Vida Encantada e As Vidas de Cristopher Chant serviram para melhor introduzir o leitor no mundo da magia e do grande Crestomanci, com uma narrativa mais calma e sem muita ação, Diana Wynne Jones deixou para Os Magos de Caprona a maior parte da agilidade da série e um grande número de novidades e acontecimentos. Pelo menos é isso que eu posso dizer até agora.
Nos dois primeiros livros da coleção, a descoberta e a surpresa eram os dois pontos principais da história. Nós leitores ainda não sabíamos muita coisa sobre esse mundo novo, e precisávamos de um pouco de explicação e calma da autora. Mas em Os Magos de Caprona, como o mundo de Crestomanci já foi apresentado (e muito bem), a autora pôde narrar uma história totalmente inovadora sem precisar se preocupar em explicar nada. E é assim, no meio de muita descontração, que conhecemos os Montana e os Petrocchi.
A Casa Montana e a Casa Petrocchi são uma espécia de Montéquios e Capuletos, como em Romeu e Julieta. Duas famílias que há muito tempo foram amigas, mas que por um motivo brigaram e passaram a se odiar. E o grande humor do livro está nas brigas e nos xingamentos entre essas duas famílias. A troca de ofensas é constante, e nos perguntamos o tempo todo: será que essas ofensas são verdadeiras? É no decorrer do livro que descobrimos isso. O grande duelo entre as duas famílias é a melhor parte de todo o livro.
A história, como em todos os livros da autora, é contada pela visão de crianças. E é incrível acompanhar a briga das famílias por esta visão, pois as crianças tem um olhar menos crítico e são mais puras que os adultos. Tonino e Paolo são os personagens principais, e eles são da família Montana. Tonino é devagar em feitiços, mas é leitor assíduo e sabe falar com gatos. Paolo é excelente em magia e é muito inteligente. Os dois juntos garantem muita confusão. O mais original de toda a história é o fato de que os feitiços são feitos com canções. Nunca vi uma coisa tão original assim.
Diana Wynne Jones tem sempre uma surpresa guardada na manga. Algumas foram realmente bem surpreendentes para mim, mas outras eu já descobri logo de cara. O Crestomanci, que era presença marcante nos outros dois livros, nesse teve seu papel deixado um pouco de lado. Mas nem por isso deixou de ter uma participação marcante.
Os Magos de Caprona garante muita diversão e aventura, e o livro é rápido e com uma boa história o tempo todo. Tudo é inovador e não deixa a desejar em nenhum momento. Quanto mais vou lendo, mais vou percebendo que Os Mundos de Crestomanci é uma das melhores séries infantis já escritas. Ainda bem que tive a sorte de conhecê-la.