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    K - O Escuro da Semente (Sabedoria #1) -

    Vicente Franz Cecim

    Letraselvagem
    2016
    383 páginas
    12h 46m
    ISBN-13: 9788561123215
    Português Brasileiro
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    Segundo o texto de orelhas, intitulado "O poeta gnóstico da literatura brasileira", do escritor português António Cabrita, nos livros de "Andara", que o poeta da Amazônia Vicente Franz Cecim "transcreve" desde 1979, e de que "K O escuro da semente" é a quarta súmula, a aventura da escrita dá-se como real "in status nascendi" e o fito (talvez desde "Ó Serdespanto") é testemunhar a passagem do relator a um outro nível da consciência, a esse limiar que acedemos, “homens, depois das palavras” (o poeta não se refere ao pós-morte, previna-se, mas ao “não-mental” do budismo, ou da “Nuvem” de Ibn Arabi), e onde o múltiplo, experimentada “a alegria de ser breve”, retorna ao Um, ao Uno. (Leia o restante do texto, a seguir) A dificuldade de leitura deste livro (que nos recoloca na órbita de Mallarmé, Michaux, Artaud, Llansol, Edmond Jabès, de Gunnar Ekelof e de outros “místicos” ou gnósticos da literatura) e da transmissão sobre aquilo de que trata resulta de o mesmo não nos falar a partir de um “universo de representações”, colocando-nos na fronteira de uma realidade não-dual, de uma outra gravitação, onde o quotidiano não tem campo. Nascido desta visão “trans”, o livro faz-nos participar de uma descida ao coração dos elementos e ilumina o “vazio que neles transborda”. De certo modo, K O escuro da semente prolonga o diálogo entre Pai e Filho que se lê em “Chandogya” (um dos “Upanishads”) e no qual um pai pede ao filho para partir o fruto e as suas sementes e lhe descrever o âmago. Quando o filho responde que “lá dentro não há nada”, o pai replica: “Meu filho, dessa mesma essência da semente que não consegues ver, dessa essência invisível, vem, na realidade, esta frondosa árvore. Tu és Isso”. Cecim, como outros autores na sua esteira, escreve sempre o mesmo livro sob um novo ângulo, numa busca do que é mais conforme à fonte. As figuras, os topoi, as metáforas que se apresentam neste longo poema já estão presentes nos anteriores. K O escuro da semente ergue-se então como um novo andamento na sinfonia. *António Cabrita é escritor, jornalista e professor português radicado em Moçambique; autor, entre outros, de A Maldição de Ondina, 2012 (LetraSelvagem)

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    Vicente Franz Cecim

    Seus avós paternos foram libaneses e italianos que imigraram para a Amazônia no início do século XX. Da mãe brasileira, paraense nascida em Santarém, a escritora Yara Cecim, herdou o gosto pelo mundo natural. É jornalista. Vive em sua cidade natal. A literatura de Vicente Franz Cecim é multifacetada como a sua origem. Marcada pela presença da natureza, nela vemos a Amazônia transfigurada na região metafísica de Andara. Sempre unindo extremos, o autor chama de livros visíveis os livros que escreve, mas os reúne na obra imaginária Viagem a Andara oO livro invisível, que não escreve e só existe na alusão de um título. Segundo Cecim, Andara é literatura fantasma. E à medida que sua obra se faz e desfaz, ela contamina a própria noção de realidade, interrogando o que se oculta sob a aparência do mundo. O escritor fez um apelo à insurreição da Amazônia em seu Manifesto Curau, lançado durante o Congresso da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, de 1983, realizado em Belém.

    13 Livros
    5 Seguidores
    Pará, Brasil

    Vicente Franz Cecim