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    A Gargalhada no Escuro -

    Vladimir Nabokov

    Nova Fronteira
    1988
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 8520900976
    Português Brasileiro
    3.9
    55 avaliações
    Leram64Lendo5Querem74Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos2Desejados74Avaliaram55

    Este é um romance sobre o amor como crueldade. Admirador das artes, bem-nascido e dono de uma vida confortável, casado com Elizabeth, moça de boa família, e pai de Irma, uma menina de oito anos, Albinus se vê subitamente desafiado por uma inquietação íntima que ele identifica como ânsia sensual. No escuro do cinema, esse vazio ganha silhueta, rosto e, finalmente, um nome: Margot Peters. A adolescente petulante destrói o homem casado, que a toma como amante com uma rudeza predatória. Obriga-o à separação, gasta o dinheiro dele, humilha-o com sua vulgaridade. Albinus se entrega como quem se abandona a um destino. O desastre anunciado sobrevém em pequenas doses dolorosas. Margot manobra, manipula. E o leitor ouve um riso mansinho, no escuro.

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    João Guilherme Gurgel30/07/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Primeiros passos (de um gênio)

    Já na primeira página, há a clássica pessoalidade do narrador russo, que assume-se como narrador e molda a história a partir disso (Machado de Assis fazia isso aqui no Brasil, e acho que é daí a morada de sua genialidade, - por mais que já fosse uma artimanha narrativa tipicamente russa, muito antes do nosso conterrâneo); por mais que não seja uma artimanha muito bem usada. Na verdade, nada neste livro é bem usado. Há obras literárias das quais os personagens as sustentam (Dom Casmurro; Brás Cubas…); há obras literárias que os personagens são desprezíveis, mas estão ajambradas de uma forma que não é necessário simpatizar com eles, o mundo criado pelo autor suficientemente poderoso para sustentar uma trama de livro (o caso dos livros de Lourenço Mutarelli, Elena Ferrante); acontece que, aqui, se enquadra no primeiro caso, - só que os personagens são terríveis. Os personagens são burros e egoistas. Entendo aquele discurso de dizer que *o ser humano é burro, então os personagens são humanos*; mas aqui é outro nível. Albinus é o tiozão caído por uma novinha (Margot), que decide largar a mulher e a filha (Elizabeth e Irma) para carcar a *quase-di-menor*; só que ele parece não perceber que é traído múltiplas vezes (as vezes me pego pensando se ele não fingia este estado soporífico); e, a mulher transgressora, por sua vez, é chata e igualmente burra, - além de extremamente superficial. Em contrapartida, admito que gostei da narração (Nabokov muda de perspectiva, de núcleo, de maneira exímia), e acho que o livro vale neste viés. É interessante para fãs do autor. Parece um precursor do que ele desenvolveria em Lolita, - so que, aqui, a qualidade não chega aos pés da sua Magnum Opus.

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 55
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas0%
    Vladimir Vladimirovich Nabokov profile picture

    Vladimir Vladimirovich Nabokov

    Vladimir Nabokov nasceu em 1899, em São Petersburgo (Rússia), numa família da antiga aristocracia. Em 1919, a instabilidade produzida pela revolução bolchevique obriga a família a abandonar a nova União Soviética e ir para a Inglaterra. Nabokov estuda em Cambridge até 1922, licenciando-se em literatura russa e francesa. Em seguida, muda-se para Berlim, onde dá aulas de tênis e inicia sua produção literária. "Lolita" é seu principal romance. Em 1926, após publicar poemas e contos, lança seu primeiro romance, "Machenka". Depois de uma estadia em Paris, fugindo dos exércitos nazistas, chega em 1940 aos Estados Unidos, onde se dedica ao ensino de literatura russa em várias universidades além de trabalhar no departamento de entomologia (o estudo dos insetos) em Harvard. A partir de 1958, o

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    539 Seguidores
    São Petersburgo, Russia

    Vladimir Vladimirovich Nabokov