Recentemente, bilionários de todo o planeta assinaram uma carta pedindo que as empresas freassem o avanço do desenvolvimento da IA (inteligência artificial), com a justificativa de que estamos indo rápido demais.
Meu primeiro pensamento foi: será que esse oligopólio de empresas (Google, Apple, Tesla, Microsoft etc) não querem que o resto da humanidade evolua tão rapidamente quanto eles?
Agora penso que talvez essas pessoas saibam algo que nós não sabemos. Mas Ian McEwan conseguiu explicar muito bem em um romance: talvez as máquinas avancem de uma forma, criem uma consciência tão firme, que os robôs terão uma história, um destino, que pode cruzar com o nosso.
Esse livro se passa na primeira pessoa e é narrado pelo inglês Charlie, que é orfão e pai e agora de mãe e ela deixa para ele uma pequena herança. Com esse dinheiro, ele compra 1 dos 25 robôs que acabaram de ser lançados (Adão e Eva, espalhados em diversas partes do mundo).
O cenário: a Inglaterra sob as mãos de Margaret Thatcher, enfrentando um avanço tão grande da IA na sociedade que a taxa de desemprego aumentou de forma alarmante. A população cobra por alguma solução.
Charlie passa a conviver com Adão e com Miranda (sua vizinha e namorada) e o casal passa a dividir diversos detalhes de suas vidas com Adão, uma máquina criada para separar o bem e o mal sem os tons de cinza que nós, humanos, entendemos.
Ao longo do livro, vemos que outros Adões e Evas se deparam com o dilema entre o que é justo, o que é bom e ruim e o que deve ser feito, e sofrem de uma forma profundamente humana.
Esse livro é uma distopia do quanto as máquinas podem impactar a nossa vida em todos as áreas: no trabalho (imagine a massa de trabalhadores sem formação, sem conhecimento, que ficará desempregada em breve) e na vida pessoal (como lidar com os dilemas morais? Como definir em um algoritmo o que é justo e correto? A vingança pode ser vista de forma positiva)?
Recomendo muito a leitura!