O ilustre escritor americano George R. R. Martin conquistou sua enorme legião de fãs escrevendo fantasias medievais do calibre da saga "Game of Thrones" e dos spin-offs "Fogo e Sangue" e "Cavaleiro dos Sete Reinos" mas ele também se aventurou por outros caminhos. Um exemplo disso é este "Nightflyers", história curta de 139 páginas que mistura terror slasher e ficção científica.
Lançado ainda na década de 80, Nightflyers nos conta sobre a expedição científica liderada por Karoly d'Branin para localizar e fazer contato com uma mítica raça alienígena chamada Volcryn, que são uma obsessão para d'Branin.
Por falta de recursos, d'Branin contrata a obscura nave Nightflyer, cujo capitão chamado Royd Eris só se apresenta aos 9 membros da expedição por meio de hologramas. Claramente o capitão esconde algo que vai se revelar mortal para a equipe de d'Branin.
Falando da equipe: o único nome da tripulação que importa ressaltar aqui além do líder é o de Melantha Jhirl: uma mulher preta e que acaba assumindo o protagonismo da história. Para algo que foi lançado nos anos 80, colocar uma mulher como figura central e de força de um sci-fi é algo inusitado pra época - no mínimo Martin deve ter ficado louco quando viu a Ripley em "Alien" de 79 e falou "A minha Ripley vai ser ainda mais badass!". Por mais que o autor tenha conquistado a minha simpatia por criar essa personagem em uma época que só homens eram esses "action heros", tenho que admitir que ele exagerou e acabou fazendo uma personagem chatíssima: eu perdi as contas de quantas vezes ela se gabava de que era um ser superior, modelo melhorado e etc - os pais eram geneticistas que fizeram o ser perfeito e bla bla bla.
O restante da tripulação é a definição perfeita de "camisas vermelhas". Já ouviram esse termo? Aqueles personagens criados pra morrerem apenas? Pois é somente pra isso que os demais personagens foram feitos. Como eu disse anteriormente, estamos falando aqui de um slasher no espaço, então temos cada personagem com uma personalidade bem diferente dos demais, mas que depois que morrem você sequer lembra do nome do fulano.
Por mais que eu tenha me divertido com a leitura, confesso que foi tudo muito raso, entretenimento mais barato, entendem ? E mesmo que não conhecesse a reputação do autor, eu saberia dizer que é um escritor que veio de fora do sci-fi, um aventureiro ocasional, que estava empolgado depois de ver "Alien" no cinema e que durante a escrita se lembrou do Hall9000 de "2001 - Uma Odisséia no Espaço" e zás: criou o vilão de sua história. Ou melhor: vilã!
É o que eu sempre digo: o bom autor de sci-fi não escreve histórias rasas, não coloca tecnologias aleatórias e contextos sem querer falar algo mais profundo abaixo da superfície, da camada superficial de entendimento. "Nightflyers" não tem nada disso: é uma história que poderia muito bem virar um Blockbuster de Hollywood, pra você ir ver com os amigos tomando refrigerante e comendo batata gordurosa ! Me parece que até houve essa tentativa, mas não rendeu muito sucesso.
E não pensem que não havia esse potencial: Martin joga uns conceitos legais sobre a tal raça mítica dos Volcryn, sobre serem um povo que esteve sempre viajando pelo cosmos, que poderiam ser composta de seres muito antigos e sábios - eu já estava imaginando uma raça de monges galáticos !!! Mas não: era só um bicho gigante que se movia por telecinesia mesmo... Bastante anticlimático - assim como o final de Melantha, mas não estou interessado em escrever sobre ele.
Definitivamente este não é um livro que fica melhor quanto mais você pensa sobre ele. Pelo contrário!
TS: Blood Incantation - Absolute Elsewhere (2024)