Parece meio brega, meio autoajuda, mas eu gostei e aprendi. Seriam cartas trocadas entre os dois amigos, comentando as angústias da existência em casos que chegaram a eles.
Eles citam filósofos, educadores, poetas (inclusive Mario Quintana) e especialmente escritoras mulheres. Eles divagam no meio das cartas, trazem assuntos diversos e se aprofundam no humanismo presente em cada caso que relembram. O padre é muito... católico, é claro. E o outro é mais filosófico.
Eles falam de laços humanos, amizade, amor, morte, medos, solidao, tempos liquidos... Filosoficamente, propõem diversas questões para reflexão, e se detêm em algumas. É um estilo conversado, não muito como cartas. Isso é só no começo e no fim de cada texto. Eles saúdam a carta um do outro. É bem mimoso. É mais como dialogo/monólogo mesmo. Gostei bastante. A leitura flui.
Destaquei algumas frases:
"Padre Fabio, O ser humano é assim. É que sua essência fica acanhada diante da saliência da aparência."
"Amar é exercício de preencher ausências."
"Amizade como partilha sem inveja."
"Confesso que eu também sofro de involução. Nem sempre minhas convicções se desdobram em atitudes práticas e concretas."
"Talvez eu tenha medo da dor por temer a dependência. E isso é uma falha que preciso corrigir. Depender do outro me faz mais humilde, mais cioso das minhas obrigações e limitações. Servir é mais fácil do que ser servido, quando precisamos ser servidos."
"O contexto da dúvida é muito mais atraente que o contexto das respostas. A dúvida resguarda possibilidades, ao passo que a resposta pronta fecha a porta da continuidade. A curiosidade humana é o impulso de todas as descobertas. Dúvida e curiosidade são asas de um mesmo pássaro."
"O moralismo será sempre um socorro fácil para quem deseja desprezar."
"A origem de muitos medos está no momento em que nos reconhecemos menores que nossos sonhos e anseios."
"Lembrar o amor que se foi dói menos que não ter.ninguém para lembrar, especialmente quando, ao amor que partiu, não se economizou no dizer e no fazer amar."