Brasil em Transe: Bolsonarismo, Nova Direita e Desdemocratização é o mais novo lançamento da Coleção Pensar Político, uma série de obras voltada para o debate dos grandes temas da agenda política brasileira contemporânea, coordenada pelo historiador e professor da Universidade Federal Fluminense, Adriano de Freixo. Organizado pela antropóloga, colunista do The Intercept e professora da Universidade Federal de Santa Maria, Rosana Pinheiro-Machado, e pelo próprio coordenador da coleção, Adriano de Freixo, este volume reúne sete artigos, escritos por professores/as e pesquisadores/as de diferentes instituições acadêmicas, que em um debate interdisciplinar procuram jogar luz sobre as causas e consequências dos processos de desdemocratização e avanço conservador que têm marcado a sociedade brasileira nos últimos anos e que emergiram de forma mais visível no pós-2013 e ampliaram-se nos anos seguintes, notadamente após o soft coup de 2016, que afastou a presidenta Dilma Rousseff e pôs fim ao ciclo de governos petistas. Escritos pouco antes do processo eleitoral de 2018, eles já vislumbravam o que estava por vir e que se confirmaria com o resultado do pleito e a vitória do candidato Jair Bolsonaro e, por extensão, do “bolsonarismo”.
Brasil em Transe: Bolsonarismo, Nova Direita e Desdemocratização -
Rosana Machado, Adriano de Freixo
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Eu não tenho muito o que dizer sobre esse livro, pois ele simplesmente me tirou todas as palavras. Eu encontrei ele por um acaso. Fui procurar outro livro e achei esse. Comecei a ler aos poucos e comecei a encaixar cada precisão da nossa sociedade em uma afirmativa dos autores. Cada ensaio contém de 10 a 15 páginas, então eu peguei um embalo nos últimos ensaios para lê-los um por dia. Simplesmente não me arrependi — e nem havia como me arrepender. Os últimos dois ensaios, sobre a democracia de poucos e a semi-cidadania, vieram num complemento tão satisfatório que eu não consegui fazer uma pausa sequer, para tomar um café ou ir ao banheiro, do tanto que me prendeu a atenção. Tentarei fazer um breve resumo desses dois tópicos, um escrito por Tulio Custódio, doutor pela USP, e outro por Tatiana Vargas Maia e Fabrício Pontin, ambos doutores pela Southern Illinois University — Carbondale: Se a "cidadania plena" é definida como a posse de todos os direitos sociais, civis e políticos fundamentais, juntamente com a nacionalidade formal, a ideia de "semi-cidadania" ilustra as diversas realidades e experiências de grupos e indivíduos em democracias liberais que não possuem acesso completo a esses direitos. A vivência do precariado, formado por indivíduos marginalizados, é marcada pela constante humilhação e sofrimento. A mobilidade social, de forma coletiva, não se concretizou; apenas uma pequena parcela obteve acesso à educação superior, empregos qualificados e crédito, enquanto a maioria continua restrita a subempregos ou ao desemprego. E não para por aí, pois, em suma, nesse contexto, a atuação violenta da força policial do Estado brasileiro, principalmente nas periferias, segue uma lógica de moralização da pobreza e, portanto, precisam ser contidos, controlados e, em alguns casos, eliminados. A pobreza é vista como um reflexo dos males do sistema, ao invés de ser reconhecida como uma consequência das desigualdades estruturais criadas por ele. Essa situação de marginalização e controle extremo dos indivíduos mais pobres alimenta o discurso da direita brasileira, que frequentemente justifica tais práticas como necessárias para a manutenção da ordem e da segurança pública. A retórica da criminalização da pobreza e da necessidade de um Estado forte e punitivo ressoa com segmentos da população que veem na repressão policial uma solução para os problemas sociais. Ao reforçar a narrativa de que a violência estatal é uma resposta legítima ao "fracasso" individual, pois “você é responsável pelos seus fracassos e suas vitórias”, a direita brasileira mobiliza apoio popular e político, consolidando suas posições e influenciando políticas públicas que perpetuam a exclusão social e a violência institucional. De modo geral, a violência serve como um instrumento de controle e condução dos corpos periféricos, representando a pobreza no Brasil e fortalecendo as bases ideológicas da direita no país. Acho que nos dias de hoje falta muito desse pensamento crítico e preparo didático de se fazer uma escrita coesa e bem consolidada. Eu li pensando se um dia escreverei dessa forma, não nego. Eu apenas sei uma coisa: esse livro vai ser meu alicerce político daqui em diante.
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