"Quem chamarei de lar", de Myriam Scotti, é um romance de formação que nos convida a acompanhar a jornada de Lúcia, moça do interior, sonhadora, inquieta e determinada. É uma história simples, narrada de forma simples... tão simples quanto a vida é, se desse modo a gente encarar os fatos. Lúcia representa as mulheres que quiseram mais do que o destino aparentemente havia reservado a elas, por isso, a história parece corriqueira. Mudando nome, origem e alguns detalhes, eu teria inúmeros exemplos de mulheres assim, e elas me inspiram muito.
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Mas nós sabemos que, mesmo querendo encará-la de forma simples, a vida nem sempre se apresenta dessa forma. Tragédias nos atravessam, perdemos pessoas e oportunidades, enfrentamos escolhas difíceis e, por vezes, até deixamos a própria vida ou os outros escolherem em nosso lugar. Lúcia sabe bem disso, pois, desde jovem, a vida apresentou a ela sua face dolorida e pesada. A personagem teve de renunciar a muitas coisas pra seguir (re)construindo sua vida. Antes mesmo de juntar todos os cacos, ela se quebrava novamente.
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Como bem descreveu @mariana_fieri da @leitura_na_rede Quem chamarei de lar é uma história envolvente, capaz de emocionar, trazer reflexões e muitos momentos de empatia e identificação com a personagem. Essa identificação também aconteceu comigo, a tal ponto de eu chamar a Myriam e conversar com ela a respeito.
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Outro tema abordado no livro é a expectativa que depositamos nas nossas relações: o que os pais esperam dos filhos, o que um cônjuge espera do outro, enfim, expectativas geram grande parte dos sofrimentos que encaramos ao longo da vida.
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O livro começa um tanto tímido, como uma moça do interior, mas logo se SOLTA e nos PRENDE. E desse ponto em diante, a gente só espera que Lúcia consiga, de uma vez, juntar todos os cacos antes de (se) partir novamente. Talvez numa leve expectativa de que se ela conseguir, a gente também conseguirá. Porém, expectativas são depósitos sem retorno garantido no banco da vida - nós sabemos.
Autoria: Mi Maciel @mimaciell postado originalmente em @ascomplexas