Eu amo um bom romance de época e já há algum tempo vinha enrolando com ?A Madona e a Vênus? e esse livro me surpreendeu de muitas formas. A própria sinopse me passou uma ideia diferente do desenvolvimento, eu esperava um triângulo amoroso muito mais envolvente do que foi e eu acabei torcendo para um casal em específico.
A história nos apresenta Francesca di Boscoli, uma camponesa de uma cidade interiorana da Itália. Francesca é noivo de seu vizinho, Giane, um jovem trabalhador que alega amá-la, mas após colocá-la em uma situação comprometedora, a deixa sozinha e não tem coragem de assumir sua parte. Sozinha e de coração partido, Francesca parte com pouco mais do que a roupa do corpo, consegue uma carona para Florença e parte sem olhar para trás.
Chegando lá ela enfrenta várias dificuldades e acaba trabalhando em regime escravo em uma taberna. Um dia, ela encontra Vicenzo de Mantovani, um artista em ascensão que se interessa em pintá-la. Devido a seus preconceitos e medos, ela recusa e vai embora, mas após quase morrer por desnutrição, ela lembra do jovem pintor e pede seu auxílio. Assim, Francesca entra na vida de Vicenzo e um ponta do nosso romance está formado.
Vicenzo de Mantovani é um artista em ascensão, mentorado pelo grande Bellini, amigo de outros artistas que estão se tornando grandes como Botticelli e Leonardo da Vinci, ele busca seu espaço. Filho de um comerciante, ele nunca recebeu muito apoio do pai, até que um amigo da família viu um de seus desenhos e o recomendou a Bellini. Assim, hoje ele não é ainda reconhecido, mas consegue alguns trabalhos no ateliê que montou em uma residência cedida por seu pai. Quando vê Francesca, ele sente grande inspiração e apesar de só querer pintá-la, acaba não resistindo a doce e inocente camponesa que sofreu tanto no passado.
Em outra ponta somos apresentados a Alessia Sforza, duquesa de Milão, que é apresentada a Vicenzo por amigos em comum e por indicação do pai dele. Ela se interessa por seus quadros, mas principalmente por sua beleza e o convence a pintar uma obra em seu palácio de Roma. Mesmo sem querer deixar Francesca, Vicenzo parte para esse trabalho que pode significar uma mudança de vida e lá chegando ele se deixa seduzir pelo reconhecimento e admiração de todos. Até que uma farsa é descoberta e ele precisa escolher entre seu amor e dignidade ou seguir as escolhas que fez inconscientemente.
Já deixo claro que eu detestei a duquesa, mulher egoísta, sem propósito e invejosa, apesar de ter tudo, não parou enquanto não teve o que desejava. Já Vicenzo é tão romântico (no sentido ilusório da palavra) que beira a ingenuidade, o que me espanta visto a sua formação. Enquanto Francesca tem uma sina pela sofrência que é impressionante. Eu torci o tempo inteiro por ela, mas muitas coisas acontecem e somos surpreendidos por escolhas e destinos. Eu gostei demais e só não dei 5 estrelas porque achei que algumas pontas ficaram um pouco soltas. Adorei a descrição dos lugares, pessoas e a própria linguagem usada, nota-se muita pesquisa por parte da autora, muito bom mesmo!