Até o Dia em que o Cão Morreu -

    Daniel Galera

    Livros do Mal
    2003
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788590182276
    Português Brasileiro

    Depois de alugar um apartamento vazio no centro de Porto Alegre, um homem de cerca de 25 anos gasta os dias olhando a cidade pela janela, bebendo cerveja e caminhando pela vizinhança. Até que um cachorro aparece em sua porta, e uma modelo chamada Marcela entra em sua vida. O impasse do narrador também tem um caráter particular - a dificuldade de escolher entre um cotidiano cheio de privações, mas sem riscos emocionais, e as possibilidades infinitas dos afetos. É aí que o mundo se torna mais complexo e interessante. É aí, também, que as paixões cobram seu preço. Com um estilo minimalista, Galera conduz o leitor com um vagar nada gratuito - em suas pequenas acelerações e grandes pausas, é como se Até o dia em que o cão morreu reproduzisse o tempo interno do seu personagem - a lenta evolução, quase despida de acidentes, até que suas certezas iniciais comecem a esmorecer.

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    Tiago Ceccon picture
    Tiago Ceccon17/10/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Biográfico, tão biográfico...

    Não posso dizer que minhas expectativas fossem baixas. Já havia assistido a versão cinematográfica (Cão Sem Dono) há algum tempo e achado ela apenas razoável, mas quando fiquei sabendo do livro, com essa capa instigante e o genial título, tive a impressão de que deveria ser ótimo. E como é bom ter uma expectativa atingida! Comecei a ler as primeiras páginas despretensiosamente pra espantar o tédio da noite e quando cheguei ao final, algum tempo mais tarde na mesma noite, tinha a vista embaçada e os olhos úmidos, tanto pelo sono quanto pela epifania literária. Não pude evitar a sintonia com o protagonista... talvez por sofrer das mesmas chagas de adolescência tardia porto-alegrense tão desvalorizadas nas resenhas aqui abaixo. Está tudo ali, no livro. Todo sentimento de cansaço, produto da pós-modernidade forçada que respiramos. Desde o respeito quase místico pela natureza, encarnada nas tempestades e nos animais ("[...] sobreviventes de uma era remota, seres de outro mundo."), até o ódio destrutivo para com os produtos midiáticos corrompidos, passando pela total inércia contemplativa de tardes e noites tediosas olhando para o universo além. Todo o espectro de filosofias (ou pseudo-filosofias, como bem queiram os intelectuais de plantão) que parece regir as gerações do pós-tudo histórico. Não posso reduzir a palavras o que essa obra me transmitiu, mas posso deixar minha sincera recomendação a todo e qualquer cidadão de Porto Alegre: procure lê-la. E o convite a tal experiência se estende a qualquer pessoa de mente ampla e capacidade empática razoável. Estou certo de que, para essas pessoas, não será em vão.

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