Como se daria uma abordagem pautada na relação entre direito e arte que invertesse a forma habitual de se proceder essa intersecção? Esse questionamento pode ser apontado como uma premissa que move a obra "Themis: Fábula Pictórica e Poesia Jurídica Mínima e Pouca". Numa espécie de inversão da lógica de abordagem - do direito sobre a arte -, promove-se uma leitura artística do direito, tendo-se assim o âmbito jurídico que é reproduzido pela arte: na arte plástica, na narrativa curta e na poesia. Ao longo das pouco mais de cem páginas que constituem a obra, tem-se a reprodução do direito pela arte. Tudo é feito com esmero pela autora: as pinturas de Themis que de forma conjunta e sequencial formam uma história, os textos curtos que constituem a breve narrativa que ilustra as pinturas e promovem o enredo, e os poemas jurídicos que completam essa tríade jusartística. A primeira parte do livro ("Themis - fábula pictórica") é constituída pela narrativa curta ilustrada por pinturas, enquanto que a segunda parte ("Poesia jurídica mínima e pouca") conta com diversos versos poéticos que tratam de alguma forma sobre o direito. É uma abordagem bastante própria e que se destaca justamente por sua particularidade. Na apresentação da obra, Maria Francisco Carneiro assim registra: "Themis - Fábula Pictórica - foi pintado e escrita com leveza, descontração e humor; e é dessa maneira que esperamos que o trabalho seja compreendido, pelos leitores de qualquer idade". Essa pretensão da qual fala a autora é alcançada e conquistada com sucesso, tendo-se assim um livro de direito e arte contribui para esse movimento de forma única.

