A obra trata da história da guerreira Zula, nascida no vale do Rio Níger, lugar cercado por montanhas e ventos. Ela cresceu entre as belezas da natureza e a diversidade de seu povo.
A aldeia na qual a guerreira vivia era próspera e rica, seu Rei era um homem justo, e ela, desde pequena, sonhava em participar da comitiva de defesa do Grande Rei. A relação entre seu pai e a nobreza permitiu que ela se tornasse grande amiga de Wanbua, a terceira filha do rei.
Wanbua se mostrava vaidosa e tempestuosa, cheia de vontades e, sendo a única filha mulher, estava próxima da idade de casar. Seus desejos com relação ao marido, fizeram-na gritar ao vento, chegando até aos espíritos perdidos da natureza.
O livro traz à tona questões pertinentes quanto ao papel da mulher na sociedade, à mística que envolve o universo, à natureza e à luta dos indivíduos, bem como à força da amizade e das relações sociais estabelecidas.
No mais, deixarei que fiquem instigados a ler essa pequena e deliciosa história escrita pelo Marcos Cajé, licenciado em Filosofia e Mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas. O autor já publicou obras como "Afrocontos: ler e ouvir para transformar", "lgbo e as princesas", "Amali e sua história". É colaborador da Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil (SECNEB) e possui diversos artigos publicados sobre literatura afro-brasileira .
Considero imprescindível que conheçamos novos autores contemporâneos brasileiros, sobretudo esses que se engajam em produzir uma literatura que resgate a história dos povos africanos, por vezes tão esquecida.