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    Dois minutos de gasolina para a meia-noite -

    Ricardo Carlaccio

    Produção Independente
    2009
    84 páginas
    2h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    20 avaliações
    Leram36Lendo1Querem7Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos1Desejados7Avaliaram20

    A ARTE DE ROUBAR CAVALOS NO PLAYGROUND DE DEUS Estórias de estradas com trilha sonora de Van Morrison. Ou uma legião de perdedores que se encontram por acaso em um boteco de luzes avermelhadas e jukeboxes que tocam antigos sucessos de Belchior. Sejam eles garotos estradeiros, putas que se apaixonam por um ou outro cliente, boxeadores que perderam tudo - menos a dignidade -, ou velhos que partem para uma última visita à mulher que mais amaram em toda a vida, os personagens de Ricardo Carlaccio parecem cientes dos jogos ardilosos de Deus, mas todos tentam escapar. Seja seguindo de carona para um destino incerto ou apontando o cano do 38 para a própria cabeça, todos tentam escapar de alguma maneira. Como suas criaturas, o criador (estou falando do escritor, não de Deus) também parece desconfortável no jogo de cartas marcadas que sempre acaba com alguém estirado atrás do balcão ou, o que é pior, sugado pela máquina de moer culhões e transformar cavalos selvagens em dóceis cordeirinhos. Se os personagens destas estórias se refugiam em velhos Mavericks e aceleram cada vez mais o motor, numa epopeia sem rumo e sem volta, é na escrita que Carlaccio encontra seu refúgio. É nesta floresta de signos que ele se embrenha, punhal em punho, para tentar cortar os cordões que prendem as marionetes. Como “aquele cara que começa inocente e vai mostrando o canivete, depois o punhal e, por fim, uma metralhadora.” Dando de ombros às regras, às trapaças e ao olhar vigilante do dono da banca, Ricardo Carlaccio roubou a coroa do Rei de Copas, passou a mão na bunda da Rainha de Paus e levou a risca o conselho de Raul Seixas: “antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu”. Ele já escreveu vários. E tudo indica que vai continuar escrevendo. É assim que leva seus fantasmas para um longo passeio. Nos infernos, nos inferninhos, onde os mensageiros celestiais costumam perder suas almas nas noites de sexta-feira. Ademir Assunção

    Resenhas (1)Ver mais
    Alinye Thomaz picture
    Alinye Thomaz23/01/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro de homem

    Eu ia dizer que esse livro é como aquele filme O Taxista. É. O Taxista seria como se fosse um dos contos. Um personagem psicologicamente instável, alterado etc. No fim entendi, na prática, o que são contos. Demorei para perceber que cada título (e não capítulo) era independente. Superado tal ponto, é um livro de homem, e talvez de homem para homem. Mas nada que impeça uma mulher de ler Eu gostei que dá para visualizar um pouco de como o sexo masculino pensa. A categoria cis hétero. E se for para ser mais específica, cis hétero branco. Não entrando nesse mérito, é bastante narrativo, embora não pareça nos primeiros títulos. Me espantei um pouco com o vocabulário, com os cenários criados, o pensamento e gostos dos personagens. E o que mais me assustou foi a absorção de coisas absurdas como se fossem normais e, pior, fossem atraentes, prazerosas, coisas boas. E vai que é na cabeça deles... Pode ser que sim e eu nunca havia materializado tal perspectiva. E bem, se for entrar no conceito de cada uma desses termos tudo pode se relativizar. Então me refiro aqui ao moral e socialmente aceitável. Os personagens são muito bem definidos, a personalidade, os gostos, os desejos, pensamentos. Isso sem o autor precisar narrar sobre eles. Delineando esses aspectos pelo diálogo de um personagem com o outro. Por fim, com todos os personagens me identifiquei com a característica de serem diretos, e todos os contos dariam bons filmes independentes. Senão bons, intrigantes ou abomináveis.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 20
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas30%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas0%
    Ricardo Carlaccio profile picture

    Ricardo Carlaccio

    Escritor, com muita coragem vende seus livros pelas ruas de São Paulo no mão a mão. Ele é a própria editora e livraria. A paixão pela escrita começou aos 17 anos e de lá pra cá, nunca mais parou. Já participou de várias leituras e debates sobre literatura, inclusive na Casa das Rosas. Ricardo publicou Postal Mambembe,Edição de 2500 cópias (esgotado); Balada Perdida - 6000 cópias (esgotado); Blues Escarlate - 4500 cópias; Um Drink No Bunker - 2500 cópias; e seu mais recente lançamento é A Última Ficha na Jukebox.

    4 Livros
    9 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Ricardo Carlaccio