Do que estamos falando quando falamos de estupro -

    Sohaila Abdulali

    Vestígio
    2019
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788554126346
    Português Brasileiro

    Depois de sobreviver a um estupro coletivo aos 17 anos em Bombaim, Sohaila Abdulali ficou indignada com o silêncio ensurdecedor que se seguiu e escreveu uma coluna inflamada sobre a percepção acerca do estupro – e de suas vítimas – para uma revista feminina. Trinta anos depois, sem aviso, seu artigo voltou à tona e viralizou, na esteira do estupro coletivo ocorrido em Nova Deli, em 2012 (que resultou na morte da vítima), incentivando Abdulali a escrever outro artigo para o New York Times – que circulou amplamente – sobre o processo de cura de um abuso sexual. Agora, a autora apresenta Do que estamos falando quando falamos de estupro: um olhar profundo, generoso e inflexível sobre o estupro e a cultura do estupro. Partindo de sua própria experiência, bem como de seu trabalho atendendo centenas de vítimas nos Estados Unidos, além de três décadas de trabalho intelectual feminista, Abdulali encara algumas das questões mais espinhosas sobre o tema. Em entrevistas com sobreviventes do mundo todo, ouvimos relatos emocionantes de força encontrada na adversidade, no humor e na sabedoria que contam, em conjunto, uma história maior sobre o significado do estupro e como a cura pode advir. Abdulali também aponta questões sobre as quais não conversamos: Um estupro é sempre um evento que define uma vida inteira? Um estupro é pior do que outro? Um mundo sem estupros é possível? Do que estamos falando quando falamos de estupro é um livro para a época de movimentos como #MeToo, #TimesUp e #MeuPrimeiroAssédio, que vai permanecer com seus leitores – tanto homens quanto mulheres – por muito, muito tempo.

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    Thaís Caroline Rocha21/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Precisamos falar sobre isso...

    Quem é estuprada? Quando estamos dispostos a chamar o ato de estupro? Quando é que a vítima deixa de ser digna de empatia? Quando bebeu demais, quando já fez sexo com um número específico de pessoas no passado, quando não é uma pessoa legal? Esses são os questionamentos propostos por Sohaila Abdulali, no livro Do que estamos falando quando falamos de estupro. Aos 17 anos, Sohaila sofreu um estupro coletivo em Bombaim, na índia. Depois disso, começou a pesquisar o assunto ativamente e trouxe nesse livro relatos de outras vítimas de violência sexual.⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣Você sabe o que é consentimento? Dizer sim e dizer não? Talvez não seja tão simples assim. O livro traz uma construção completa sobre a implicação do consentimento no estupro, que vai te fazer repensar se você sabe mesmo o que isso significa. Se uma mulher alcoolizada ou se sentindo coagida diz sim, então ela consentiu? O que ela está consentindo? Quando ela pode consentir? ⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣Como o poder se impõe em um estupro? Na ocasião e nos motivos? Sohaila Abdulali vai além e explica como o poder corrompe em quem as pessoas acreditam, de quem é a responsabilidade, quem é punido e por quê.⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣Uma simples consulta ao dentista ou ao médico pode afetar uma sobrevivente de estupro? A autora mostra como isso é possível. Por possuir nuances parecidas com o que ocorre no abuso sexual, isso pode acontecer, aqui você vai descobrir como. É importante tentar descobrir o que pode agravar a dor do outro.⁣⁣⁣ ⁣⁣⁣Devo ou não conversar com crianças sobre violência sexual? Sohaila Abdulali traz o depoimento de um jovem estuprado pelo professor na sala de leitura da escola, ele não sabia o que era estupro, então não podia dizer que foi estuprado quando chegou em casa.⁣⁣ ⁣⁣Esses são alguns pontos, dentre tantos outros, que Sohaila Abdulali levanta para discutir um tema que as pessoa evitam falar, mas que precisa ser posto em discussão. Sem dúvidas, uma das coisas mais difíceis que eu li esse ano, a autora, até pela vivência, soube levantar uma discussão muito coerente com a publicação desse livro.

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