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    Lugar de negro, lugar de branco? - esboço para uma crítica à metafísica racial

    Douglas Rodrigues Barros

    Editora Hedra
    2019
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788577155965
    Português Brasileiro
    4.1
    17 avaliações
    Leram27Lendo5Querem106Relendo1Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados106Avaliaram17

    Lugar de negro, lugar de branco? busca desmistificar a naturalização do lugar da raça na discussão moderna e de sua força instituinte: a escravidão moderna. Com forte alicerce em uma leitura crítica de Frantz Fanon, o ensaio repensa o identitarismo, que ganha espaço nas militâncias, ao relacioná-lo à procura mística de uma África que, historicamente, é indissociável do processo de produção capitalista. Ao transpor o problema da raça e do significante negro para um novo patamar, o livro lança novas hipóteses para o movimento negro e aponta para sua potência em superar as relações mercantilizadas nos trópicos.

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    Matheus Cruz picture
    Matheus Cruz18/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Extremamente necessário

    "Lugar de negro, lugar de branco?" é uma obra impactante e indispensável para se travar a luta antirracista hoje. (Como a resenha ficará registrada para a posteridade, esclareço que li essa obra no momento em que floresciam, nos EUA, as manifestações do movimento "Black Lives Matter", em protesto contra o homicídio filmado de um homem negro, George Floyd, por um policial branco.) Nesse contexto, em que a barbárie desfila nua diante das câmeras, o antirracismo se acendeu como chama e ardeu o mundo. A partir da revolta, do impulso reativo contra o estado "normal" de coisas, milhares de pessoas assinaram com fogo suas notas de repúdio contra séculos de crueldade, violência e tortura infligidas aos corpos racializados. Na ebulição espontânea que nos convida a encarar a realidade de olhos abertos, a vontade de transformar o mundo desperta em milhares de corações, momento em que o horizonte teórico e a organização coletiva emancipatória se fazem indispensáveis. Foi nesse impulso que me agarrei à obra de Douglas Barros e fui arrebatado por um trabalho fantástico, revolucionário. Resgatando o pensamento radical e pungente de Frantz Fanon (autor do espetacular "Peles negras, máscaras brancas"), Douglas traça com clareza impressionante a prometida crítica à metafísica racial, desnudando as suas origens escusas e delirantes, revelando as suas determinantes concretas e, o mais importante, propondo o horizonte ideal para a ruptura do plano simbólico que vitima os corpos racializados hoje. Em síntese, o autor traz de volta para o debate de raça a sua indispensável frente anticapitalista. Retoma o legado de Fanon, somando-se à Mbembe, para então demonstrar explicitamente como a marginalização e genocídio da população negra configura atividade essencial do Estado capitalista. (A certeza de que a cada 23 minutos um jovem negro é morto no Brasil - Mapa da Violência -, por exemplo, não o deixa mentir.) Além disso, a crítica à escolha hegemônica do "Movimento Negro" de apagar a luta anticapitalista de seus debates, e centrar na identidade e no resgate de um passado místico, o seu horizonte de luta, é tecida com maestria em alguns ensaios. Em síntese, o autor nos lembra de que não pode haver mais espaço para ilusões com as concessões das classes dominantes. Outro aspecto interessante é como o autor demonstra que a "condição do negro" ecoa para além dos corpos negros, atingindo povos que também são encarados como "excedentes" pelo sistema, à exemplo dos palestinos e dos refugiados ao redor do mundo. Por fim, o autor nos convida a construir um mundo que supere a lógica perversa do capital. No qual brancos e negros não sejam mais forjados enquanto tal por uma forma social racista. Nos convida a fundat uma nova forma de sociabilidade em que todos convivam como iguais.

    8 curtidas

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    4.1 / 17
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    • 4 estrelas53%
    • 3 estrelas6%
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    Douglas Rodrigues Barros

    Filósofo, escritor, militante e ex-operário, atualmente doutorando pela UNIFESP, junta influências de Hegel, do marxismo, da psicanálise e do pensamento diaspórico de matriz africana. Possui três romances e um livro teórico.

    4 Livros
    2 Seguidores
    Ceará, Brasil

    Douglas Rodrigues Barros