Tem livro que você abre… e livro que te sequestra no meio da página 30 sem pedir permissão.
À Beira da Eternidade é exatamente esse segundo tipo.
Você acha que vai encontrar um romance com título dramático de sessão da tarde. E então… boom. Viagem no tempo, realidade quebrada e um mistério que te encara como se dissesse: “tenta entender, vai”.
A história alterna entre dois mundos, e dois personagens que parecem viver em universos incompatíveis. De um lado, Bridger, no futuro de 2146, treinado para manipular o tempo como quem edita um vídeo, carregando o peso da morte do pai e uma missão que ele mal compreende, e aunda perde sua namorada Vika numa missão. Do outro, Alora, em 2013, tentando sobreviver a apagões bizarros que fazem ela acordar em lugares aleatórios, como se sua vida fosse um controle remoto com defeito.
E aí vem o detalhe que prende: essas duas histórias não só se conectam… elas colidem.
Melissa E. Hurst constrói um enredo que brinca com o tempo sem transformar tudo numa aula de física impossível. É ficção científica acessível, daquelas que te fazem sentir inteligente mesmo quando você claramente não entendeu tudo — e tudo bem, porque o foco não é só o “como”, é o “por quê”.
O ritmo é outro ponto forte. Não existe zona de conforto. Cada capítulo entrega uma pista, um segredo ou uma dúvida nova, geralmente os três juntos (como Vika e Alora sao idênticas?). Quando você acha que entendeu, percebe que só estava sendo gentilmente enganado.
E sobre os personagens…
Bridger tem aquele ar de protagonista que carrega o mundo nas costas, mas às vezes dá vontade de sacudir ele e dizer “reage”.
Já Alora é o tipo de personagem que começa comum e, quando você percebe, está no centro de tudo, e você já está emocionalmente envolvido demais pra sair.
O livro mistura ficção científica, distopia, suspense e uma pitada de drama jovem adulto, mas sem deixar nada superficial. Existe crítica social ali, existe discussão sobre escolhas, sobre destino… e sobre o preço de mexer no que talvez devesse ficar intocado. O TEMPO.
Agora, sendo sincera do jeito que você gosta: Custei a engatar no livro, principalmente pela linguagem jovial.
Não é um livro perfeito. Em alguns momentos, os personagens poderiam ter mais profundidade e certas decisões parecem convenientes demais. Mas isso não estraga a experiência, porque a trama é tão envolvente que você simplesmente continua.
E o final?
Não fecha tudo. E isso é quase uma provocação. Você termina com aquela sensação deliciosa de “eu preciso de mais”. Quero o outro livro traduzido para ONTEEEM.
Resumindo sem resumir:
À Beira da Eternidade não é sobre amor.
É sobre tempo. Sobre consequências.
E sobre o perigo de tentar consertar o que talvez nunca tenha sido seu para mudar.