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    O universo parou e eu continuei rodando -

    Anna Brandão

    Urutau
    2017
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-13: 9788569433453
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    Leitor, não se engane: Anna Brandão é tatuadora. Basta olhar com atenção as marcas que ela deixa sobre o papel, basta ler a relação de corpo-a-corpo com a página em branco que, tornada pele, recebe traços finos e delicados, porém permanentes, de uma poesia que perfura, sangra e dói. Tudo isso, claro, muito bem camuflado pelas cores e paisagens de uma “uma vista repleta / de cumulus”. Camuflado na agulha que já não se vê espetada entre o poema e a prosa, entre a linguagem forte e frágil que mistura pronomes a fim de representar a intimidade dura do cotidiano. O resultado é um arquivo híbrido como as cores já misturadas ao sangue na tatuagem. Anna Brandão estreia seu primeiro livro de poemas, picando uma poesia falsamente jovial na qual, entre carnavais de santa teresa, desenham-se antigos medos e dores como “as taxas de suicídio [que] subiram junto com o preço do feijão”. São as tais “coisinhas pequenas / que se perdem / pra acharmos de novo / e reacharmos / e por sua vez / achar num outro lugar / em outro estado / físico”, como “o tanto de areia / que um pombo carrega / no seu bico”, que revelam a intensidade dos fatos pequenos, das palavras pequenas, das pequenas mortes e dos mínimos orgasmos. Dizia Derrida que uma tatuagem não é nunca a justaposição de uma coisa à outra, ou um desenho autônomo sobre a pele, mas, ao contrário, trata-se agora de uma indissociabilidade: a inscrição de um processo dolorido que torna visível-invisível o segredo. O segredo do sentido. Mas qual o segredo que se esconde na poesia de Anna Brandão? A delicadeza com que nos pica detalhes? A respiração miúda? (“- baby, essa coisa de morrer vai acabar nos matando”). A organização das palavras que nunca-nunca são gritadas, nem mesmo sussurradas, mas pronunciadas em tom baixinho, quase grave, antes ainda, suave, misturando-se ao papel? Ou a palavra que, bem dita, nunca quer aparecer mais do que o silêncio? “outro dia eu sonhei que escrevia o melhor poema do mundo, mas eu esqueci quando acordei”, ou “a cor mais bonita do mundo / é a saudade”. Na verdade, eu queria ficar recortando pedacinhos dos poemas da Anna para mostrar como são bonitas e ternas as imagens que ela constrói. Acho que é porque cachorros magros me fazem morrer um pouco na leitura. Morrer de amor e de ternura. O poema que mais gosto chama “mito ou mania” e eu nem vou citá-lo para não estragar a surpresa de um “fluxo que veio como coice”. Enfim, decididamente eu não sei o segredo da poesia de Anna Brandão, mas pressinto que “sempre foi uma questão de nós”. Geruza Zelnys

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    Paula Brindeiro picture
    Paula Brindeiro12/01/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quotes do livro

    "Para quem morre de amor e continua vivo." (página 9) "Nunca foi uma questão de tempo, sempre foi uma questão de nós." (página 37) "Outro dia eu sonhei que escrevia o melhor poema do mundo, mas eu esqueci quando acordei." (página 45) "Porque a gente nasce sozinho e vive se espalhando pelas ruas justamente pra encontrar um sentido." (página 54) "Escrevi versos sem cerimônia em livros de outras poetas que nunca vão me ler de voltar." (página 59) poema "entre a segunda e a terceira costela" (página 74) poema "mar sujo" (página 89) poema "antes do seu último passeio de bicicleta" (página 98)

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    Anna Brandão profile picture

    Anna Brandão

    nascida no inverno de 1996, em são paulo, a anna é ilustradora, tatuadora, poeta e desacreditada. gosta de suco de maçã, escadas rolantes e a combinação do rosa e amarelo. ela tem medo de castelos infláveis e de perder a memória, por isso registra as coisas que vê com palavras. “o universo parou e eu continuei rodando” é o seu primeiro livro de poesia.

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    São Paulo, Brasil

    Anna Brandão