Após a esposa de Ulisses partir com os filhos do casal para Israel, ele decide ir atrás, pois lhe é impensável ficar longe das crianças; o problema é que, se ela tem origem e familiares naquele país, para ele tudo lá é desconhecido - este Ulisses argentino, tal qual o de Homero e o de James Joyce, fará uma viagem que o levará ao esgotamento, em que tudo é imprevisto e as diferenças culturais e de idioma o impelem ainda mais à implosão de sua humanidade.
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Em Israel, ele conhece Irit, artista plástica cujo marido morreu em um dos tantos atentados ocorridos no país. Ela tem dificuldade em amar novamente, mas o encontro entre os dois faz nascer um amor de poucas palavras - eles não têm uma língua em comum -, mas de forte comunhão.
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A narrativa é completada por mais dois personagens: David, viúvo que trabalha no aquário da cidade, e Danny, uma criança perdida e traumatizada, que carrega consigo um bilhete dizendo que, se for achada sozinha, é porque seus pais morreram.
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Este romance, do mesmo autor de "Kamchatka" (cuja adaptação cinematográfica merece elogios), talvez peque por falta de identificação: as diferenças culturais dos povos que vivem em Israel não são descritas de modo a cativarem o leitor ocidental, o que faz com que alguns capítulos sejam arrastados e um pouco desinteressantes. Em contrapartida, a narrativa fragmentada, que aos poucos vai aproximando as personagens até traçar uma relação entre todas elas, no final, pode ser entendida como um acerto do autor.
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O desfecho compensa essas fragilidades e deixa o leitor sufocado, ciente de que a vida surpreende a todos, tanto nas alegrias quanto nos traumas inesperados.
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[inédito em português; lido em espanhol]