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    SALAMBO -

    Gustave Flaubert

    Mimética
    2019
    370 páginas
    12h 20m
    ISBN-10: B07QPVYCMR
    Português Brasileiro
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    Publicado em 1862, «Salambo» evoca a civilização cartaginesa, aquando da revolta dos mercenários que se seguiu à primeira guerra púnica. Mais do que um romance histórico, esta obra surge como uma sucessão de momentos estéticos pintados com grande brilhantismo.

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    Edson Camara09/06/2025Resenhou um livro
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    Salambô – Amor, guerra e sacrifício inútil em Cartago

    Salambô, de Gustave Flaubert, é uma viagem ao coração sangrento de Cartago, logo após a Primeira Guerra Púnica. A cidade, enfraquecida e em crise, se recusa a pagar seus mercenários, desencadeando uma revolta brutal. É nesse cenário que se desenrola uma história de paixão obsessiva, rituais sangrentos e destruição inevitável. Mathô, um mercenário líbio, lidera a fúria contra Cartago. Selvagem e impulsivo, ele se apaixona por Salambô — filha do general Hamilcar e sacerdotisa de Tanit. Movido pelo desejo, Mathô invade o templo e rouba o véu sagrado da deusa. É um gesto de guerra, profanação e loucura. A partir daí, o destino de todos os personagens se entrelaça numa espiral de violência. Salambô é arrastada para o centro do conflito. Seu corpo, sua fé e sua inocência são usados como armas políticas e religiosas. Forçada a recuperar o véu, ela se submete a Mathô num dos momentos mais chocantes do livro — não por paixão, mas por um dever que lhe é imposto. No final, sacrifica a própria vida em nome de uma cidade já condenada. Flaubert não economiza nas cenas de crueldade: há crucificações em massa, batalhas descritas em detalhes brutais, mutilações, rituais religiosos sangrentos. Tudo é excessivo, tudo é trágico. Mas por trás desse espetáculo de horror, está uma crítica feroz ao fanatismo, ao poder e às causas perdidas. Salambô é uma obra grandiosa, violenta e bela. Flaubert transforma o passado em um palco onde ninguém escapa do sacrifício — e quase todos morrem em vão. Fiquei chocado em várias passagens do livro e o final me deixou arrasado emocionalmente, mas valeu a leitura.

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    Gustave Flaubert profile picture

    Gustave Flaubert

    "Madame Bovary sou eu", disse Gustave Flaubert quando os juízes lhe perguntaram quem teria sido o modelo da sua personagem, durante o seu julgamento, em 1856. Ele foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma "obra execrável sob o ponto de vista moral". Mas foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris, em fevereiro de 1857. Resultado de cinco anos de trabalho, seu romance de estréia, "Madame Bovary", é uma dura depreciação dos valores burgueses. Segundo alguns críticos conservadores, Flaubert ridicularizou sua própria condição social. Afinal, o autor era filho de um médico provinciano rico e vivia de rendas em sua idade adulta na propriedade rural do pai. A história de Emma Bovary, que trai o marido para fugir da vida medíocre, é um retrato da incapacidade mental, emocional e moral das sociedades provincianas. Flaubert se dizia um estudioso da estupidez humana e colecionava episódios de burrice publicados em livros e jornais. Para ele, estupidez era mais freqüente na província. A falta de inteligência também foi o tema de "A Tentação de Santo Antão" (1874). Em 1840, como prêmio por ter concluído os estudos secundários, ganhou uma viagem para os montes Pirineus e para a ilha de Córsega. Ao passar por Marselha, viveu um namoro com Eulália Foucaud de Langlade. O idílio foi inspiração para a obra "A Educação Sentimental" (1869). Entre 1849 e 1851, o autor viajou para a África, onde colheu informações para "Salambô" (1862), sobre a queda de Cartago. Flaubert foi um dos autores mais importantes do Realismo, movimento estético de reação ao Romantismo europeu no século 19, influenciado pelas teorias científicas, a Revolução industrial e a linha filosófica de Augusto Comte (o Positivismo). Ele levou à perfeição o ideal do romance realista de harmonizar a arte e a realidade. Sua obra se caracteriza pelo cuidado na sintaxe, na escolha do vocabulário e na estrutura do enredo. Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês. Pouco antes de sua morte, vendeu propriedades para evitar a falência do marido de sua sobrinha. Passou a viver de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine. O romance "Bouvard et Pécuchet" foi publicado inacabado, postumamente.

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    Gustave Flaubert