A Irradiação Empresarial Espanhola Na América Latina - Um novo fator de prestígio e influência

    Bruno Luiz Cobuccio

    FUNAG
    2011
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788576312994
    Português Brasileiro

    Nas duas últimas décadas do século XX, a rápida “latino-americanização” das principais empresas espanholas produziu uma profunda transformação quantitativa e qualitativa nas relações entre a Espanha e a América Latina, que ganharam substância e densidade. A “latino-americanização” do investimento produtivo espanhol não deve, porém, ser apreciada apenas por seus efeitos econômicos e quantitativos. Trouxe no seu bojo efeitos políticos de primeira magnitude. Além de criar uma singular comunidade de interesses bilaterais, passou a dar sustentação à política de prestígio perseguida por Madri na América Latina.

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    Tales Vieira29/12/2020Resenhou um livro
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    A Espanha como uma águia bicéfala

    A Espanha é um país que vivenciou enorme glória e prestígio ao se tornar um dos maiores impérios coloniais europeus, possuindo domínios na Europa, América, África e Ásia. Tamanho poder, no entanto, não se manteve ao longo dos séculos da mesma forma como se construiu. Em um período que vai de 1825 a 1898 os espanhóis vivenciaram a ruína do seu império, o que resultou em um processo de recolhimento do país na esfera internacional. Encolhida em um momento de decadência, a Espanha vê sua intelectualidade se debater sobre seu futuro. Embora fisicamente localizada no continente europeu, a Espanha culturalmente não se sentia européia, inclusive se ressentia da ''europeidade'' dos seus vizinhos franceses. A Espanha era católica, bucólica, mística; a Europa racional, burguesa, instrumental. O debate se deu entre os filósofos Miguel de Unamuno e José Ortega y Gasset. Unamuno defendia que a Europa deveria se hispanizar, e que era mais honroso ser conterrâneo de São João da Cruz do que de Descartes. Ortega y Gasset, pelo contrário, queria que a Espanha rumasse cada vez mais em direção à Europa, defendendo a racionalidade e a modernidade. Esse debate é por demais extenso, visto que os autores puxam raízes que remontam ao Império Romano para argumentarem sobre a latinidade da nação. O fato é que ambos se desiludem com o passar do tempo por motivos diversos, e a Espanha rumou para a ditadura fascista de Francisco Franco após a Guerra Civil, em 1936. Com o fim da ditadura em 1976 o país entra em um processo de redemocratização que por fim levará à integração com os demais países europeus, e que culmina com a entrada espanhola na União Européia. É nesse cenário que a América Latina surge como ponto importante da Política Externa Espanhola. Os espanhóis se voltam para o continente americano como uma águia bicéfala que olha tanto para a Europa quanto para a América. Madrid se torna um centro capaz de representar os interesses latino-americanos frente aos europeus, assim como também de levar os interesses europeus aos latino-americanos. Dois problemas, porém, são relevantes: a Espanha é uma potência média na Europa, não conseguindo apoio suficiente dentro da UE para benefício próprio, e também não consegue rivalizar com o poderio dos EUA na AL de forma eficiente. É notório como a partir da década de 90 as empresas espanholas conseguem penetrar nos mercados latino-americanos, aproveitando-se de um período de aplicação de medidas neoliberais no continente. Os espanhóis não conseguiam rivalizar com franceses, alemães, ingleses, italianos e holandeses na Europa, mas possuíam o suficiente para influenciarem a América Latina carente de instituições sólidas e empresas com maior expertise empresarial. Por fim, nota-se como a Espanha utiliza com eficiência a sua posição como membra da UE para dirigir negócios na América Latina, aproveitando-se das raízes culturais, históricas e linguísticas que unem os países. Mais que uma ex-metrópole, a Espanha despontou como parceira estratégica dos governos latino-americanos, na medida em que seus interesses se juntaram de forma aproveitável aos interesses latinos. A Espanha é, de certa forma, uma parceira confiável que cresce e faz crescer, possuindo uma quantia considerável de negócios sólidos no Brasil, México, Chile e Colômbia. É preciso observar o quanto essas parcerias podem se tornar mais ou menos benéficas com o passar dos anos.

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