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    Os Eleitos -

    Tom Wolfe

    Rocco
    1992
    389 páginas
    12h 58m
    ISBN-10: 8532501079
    Português Brasileiro
    4.2
    93 avaliações
    Leram152Lendo25Querem281Relendo0Abandonos8Resenhas6
    Favoritos13Desejados281Avaliaram93

    No início da década de 60, os EUA selecionam sete jovens pilotos para o projeto Mercury, com o qual pretendem assumir a dianteira da corrida espacial. Esses primeiros astronautas americanos, ex-pilotos de caça acustumados a ter participação ativa e fundamental em voo, seriam agora colocados numa cápsula e lançados ao espaço. Tinham, a alimentar-lhes a vaidade, o assédio da imprensa - A Fera - e a comoção popular. Mas acima de tudo, possuíam a qualidade certa, um amálgama de vigor, intestinos, sinapses velozes e a fibra necessária para enfrentar o desconhecido. Naquele momento, os EUA amargavam um nada honroso segundo plano no controle dos céus. Afinal, a URSS lança-ra, em 1957, o primeiro satélite artificial - o Sputnik - em em abril de 1961 Yuri Gagarin efetuara uma órbita ao redor da Terra. Nas entrevistas com os astronautas para a execução do livro, Wolfe logo descobriu que nenhum deles, por mais loquaz que fosse, pensava em discutir o que ele julgava essêncial: a natureza da coragem. O autor avaliou, também, que as respostas a suas dúvidas não seria encontrada numa eventual relação de "pré requisitos para voar no espaço". Corajosos como os soldados de cavalaria no passado, os pilotos militares visitados por Tom Wolfe eram a confirmação do que o médico inglês Charles Moran previra na década de 20: o jovem do futuro buscaria na aviação o mesmo tipo de glória e reconhecimento proporcionados pela participação na guerra. Os Eleitos retoma a história do projeto Mercury e tenta, a partir daí, indagar o que levou alguns homens a desejar correr perigos e tornar-se ícones de uma época dominada pela figura do anti-heroi. Esse mistério psicológico é, segundo Wolfe, dos mais secretos e extraordinários dramas do século XX.

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    Resenhas (6)Ver mais
    Jorge Wagner Mello de Andrade picture
    Jorge Wagner Mello de Andrade15/08/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Esse você precisa ler: “Os Eleitos”, Tom Wolfe

    [texto de Jorge Wagner, publicado originalmente em http://screamyell.com.br/site/2009/10/05/os-eleitos-tom-wolfe] “Não vejo no jornal diário nada que me dê vontade de guardar”, costuma declarar o jornalista Sergio Vilas Boas. Professor da Associação Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL) e editor executivo do Texto Vivo, Sergio diz sentir falta de um certo fator humano, de histórias universais e temas que possam ser abordados em profundidade, possibilitando ao leitor refletir sobre si mesmo. Bem… num mundo onde o troféu de jornal mais popular do Rio de Janeiro vai para as mãos de um tablóide como o Meia Hora (um apanhado de micronotícias do tipo finjo-que-informo-e-você-finge-que-acredita sobre novelas, futebol, mulheres frutas e fatos bizarros como o “ET” morto a pedradas no Panamá), temos que concordar: não há nada que valha a pena ser guardado. A grande verdade, porém, é que por mais que saudosistas venham a dizer que no passado as coisas não eram bem assim, o jornalismo diário – com sua pretensa objetividade, suposta imparcialidade e suas algemas às “perguntas básicas” quem/o que/quando/onde/como/por que – foi, desde sempre, alvo de críticas. O efêmero, o denuncismo barato (de assuntos logo substituídos por outros mais “quentes”, no jargão jornalístico), não agradam a muita gente. E ainda bem. Pois foi a necessidade de aprofundamento que fez vir ao mundo obras como “Os Sertões”, de Euclídes da Cunha. Foi a busca pelo tal fator humano que gerou reportagens como “Hiroshima’”, de John Hersey, e a vontade de verter o efêmero em perene que fez Truman Capote transformar uma pequena nota sobre o assassinato de uma família em uma das grandes obras primas no jornalismo mundial. Muita coisa foi publicada na imprensa de todo o mundo quando sete pilotos de teste oriundos das forças armadas foram designados para serem os primeiros astronautas norte-americanos, na segunda metade da década de 1950. No entanto foram necessários mais de 20 anos para que o assunto ganhasse sua reportagem definitiva. Falamos de “Os Eleitos” (”The Right Stuff”, no original), lançado por Tom Wolfe em 1979. A imprensa, no auge da procura pela suposta busca pela objetividade, deu início a uma verdadeira corrida atrás de informações sobre o cotidiano, famílias e hábitos de cada um desses sete homens, culminando em um contrato de exclusividade com a revista Life – que se comprometia em explorar tudo o que parecesse bonitinho na vida pessoal das novas celebridades, deixando de fora o que pudesse denegrir a imagem dos pilotos ou colocar em dúvida a confiabilidade da recém-nascida NASA – ou seja, uma grande parte da história. Não foi o caso do livro de Tom Wolfe… Um quatro grandes nomes (ao lado e Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote) do que se convencionou chamar New Journalism, Wolfe, com seu estilo ironicamente bem humorado, se aprofundou na pré-história da astronáutica, quando pilotos se esforçavam para baterem recordes de velocidade a bordo de aviões que precisavam serem levados “de carona” para o céu – detalhando, inclusive, a história de Chuck Yeager, o primeiro piloto a ultrapassar a barreira do som. Se aprofundou no sentimento indizível, o não-estou-nem-aí, que esses homens mal remunerados nutriam em relação à grande possibilidade de morrerem no cumprimento do dever. Apurou com detalhes as experiências ditas científicas – algumas delas no mínimo degradantes – as quais eram submetidos os astronautas em treinamento, bem como a dificuldade que alguns desses homens possuíam em manter as calças abotoadas, as competições internas, os medos, as frustrações, a insistência para que fossem mais do que cobaias dentro de uma cápsula e tivessem controle sobre o vôo. E o melhor de tudo: soube como usar cada uma dessas informações no momento adequado, através de um texto de fácil assimilação, que pode ser lido por qualquer um, conheça ou não o mínimo da história sobre a corrida espacial. “Os Eleitos” tornou-se um clássico. Levado às telas em 1983, sob a direção de Philip Kaufman, com um elenco com nomes como Sam Sheppard, Ed Harris, Barbara Hershey, Dennis Quaid e Scott Glenn, além do próprio Chuck Yeager, já senhor, em uma ponta. Indicado ao Oscar em oito categorias (entre elas a de Melhor Filme), levou as estatuetas de Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Montagem. Lançado no Brasil pela editora Rocco em 1988, vendeu o suficiente para que fosse reeditado mais duas vezes, sendo a terceira edição datada de 1992. Pode ser encontrado no site Estante Virtual com preços indo de R$ 9,50 até R$ 26. Trata-se de um livro que não poupa informações, sejam elas dignas de orgulho ou de vergonha. É um livro sobre homens que por mais corajosos que pareçam a princípio, cometem erros, urinam nas calças, detonam escotilhas antes da hora. Tom Wolfe despe os homens de suas máscaras para mostra-los tão humanos como qualquer outro e, com isso, publica aquele que pode ser apontado como o melhor de seus trabalhos. Trata-se, sem dúvida, de um livro que Sergio Vilas Boas deve ter em sua estante. E que você deve ler.

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    4.2 / 93
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Thomas Kennerly Wolfe profile picture

    Thomas Kennerly Wolfe

    Thomas Kennerly Wolfe foi um jornalista e escritor norte-americano, conhecido por seu estilo marcadamente irônico. Nos EUA, é considerado um dos fundadores do new journalism, movimento jornalístico dos anos 60 e 70. Wolfe nasceu em Richmond, Virginia, nos Estados Unidos, filho de Thomas Kennerly Wolfe e Helen Hughes Wolfe. Seu pai recebeu Ph.D. pela Universidade de Cornell e foi professor de Agronomia na Virginia Tech. Ele também possuía duas fazendas e foi diretor de uma bem-sucedida cooperativa de fazendeiros. O sucesso financeiro de Thomas permitiu à família um estilo de vida abastado. Thomas também atuou como autor e jornalista, editando o jornal agrícola The Southern Planter, além de publicar livros a respeito de temas semelhantes. Contudo, foi Helen Wolfe que introduziu Tom Wolfe às artes. Ela matriculou seu filho em aulas de sapateado e balé, incentivando-o a interpretar e ler com frequência. Com 9 anos de idade, Wolfe começou a escrever. Ainda criança, começou a escrever uma biografia de Napoleão, além de escrever e ilustrar a biografia de Mozart. Wolfe tem uma irmã mais cinco anos mais nova. Tom Wolfe faleceu em 14 de maio de 2018, aos 87 anos

    25 Livros
    19 Seguidores
    Virginia, Estados Unidos

    Thomas Kennerly Wolfe