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    Redemoinho em dia quente -

    Jarid Arraes

    Alfaguara
    2019
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788556520890
    Português Brasileiro
    4.1
    1951 avaliações
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    Favoritos143Desejados1948Avaliaram1951

    Uma das principais vozes da literatura contemporânea, Jarid Arraes traz um livro de contos sobre mulheres brasileiras que não se encaixam em padrões e desafiam expectativas. Escritora conhecida por seus cordéis, Jarid Arraes estreia no gênero dos contos em Redemoinho em dia quente. Focando nas mulheres da região do Cariri, no Ceará, os contos de Jarid desafiam classificações e misturam realismo, fantasia, crítica social e uma capacidade ímpar de identificar e narrar o cotidiano público e privado das mulheres. Uma senhora católica encontra uma sacola com pílulas suspeitas e decide experimentar um barato que a leva até o padre Cícero, uma lavadeira tenta entender os desejos da filha, uma mototáxi tenta começar um novo trabalho e enfrenta os desafios que seu gênero representa ― Jarid Arraes narra a vida de mulheres com exatidão, potência e uma voz única na literatura brasileira contemporânea. O leitor se surpreenderá com a originalidade e a fluência da voz que aqui, nestes contos, enfrenta e revela o emaranhado de contradições que cada um de nós carrega. – Maria Valéria Rezende Vencedor de melhor livro de contos pelo APCA 2019. Avaliado como um dos melhores livros do ano pela revista Quatro Cinco Um e pelo Suplemento Pernambuco.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo13/03/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Menina, mulher e de pele preta

    Não existem limites para a construção de um conto. Os escritores que se aventuram nesse terreno precisam apenas ter uma ideia - que pode ou não fazer sentido - que se concretize através da linguagem, matéria-prima de quem escreve. No caso deste “Redemoinho em dia quente”, há muito mais que isso. Primeiro livro de contos da cearense Jarid Arraes, “Redemoinho em dia quente” é um apanhado de 30 narrativas breves - breves mesmo, pois nenhuma delas tem mais que 10 páginas - que tangenciam todas as discussões contemporâneas possíveis sobre o universo feminino. E eis aqui a primeira característica que distingue este livro da maioria de seus pares: não existem contos narrados por homens. E a narração abrange de tudo: meninas, mulheres, beatas, transsexuais, idosas. À Jarid, nada da realidade feminina escapa. Agora, a façanha: Jarid, uma jovem autora nordestina de 31 anos, conhecida pela publicação de mais de 70 títulos de cordéis e livros de poesias, algo extremamente restrito ao Nordeste, consegue popularizar, do Norte ao Sul do país, uma literatura engajada, denunciatória e extremamente política sem ser panfletária. Caso raro de um Brasil que sofre com a ignorância e a intolerância latentes. É através de contos poderosos com meninas e mulheres protagonistas de realidades muito particulares que a voz narrativa de Jarid, carregada de regionalidade, oferece reflexões universais. A união perfeita da boa literatura, portanto. E os contos? Bom, os contos trabalham essencialmente com o extrato real da vida feminina, mas permitem a dose necessária de irrealidade inerente à ficção. É o caso de “Sacola”, que abre o livro de maneira bem-humorada e envolve uma beata que usa as drogas de um traficante por acaso e curiosidade. Há também doses importantes de seriedade sobre os mais variados temas, como a discussão sobre colorismo e preconceito na infância em “Marrom-escuro, marrom-claro”; o pesado e sinuoso “Telhado quebrado com gente morando dentro”, que aborda estupro e assédio sexual e “Gesso”, que evidencia o alarmante quadro de violência doméstica que o Brasil patriarcal insiste em ignorar; há também uma reflexão sincera sobre o mal deste século, a depressão, em “Got a flamin’ heart, can’t get my fill’’; ou ainda a sempre polêmica questão da sexualidade, cada vez mais relevante, que ganha holofote nos urgentes “Gilete para peito”, “Voz” e “Olhos de cacimba”, contos que falam sobre bissexualidade, transsexualidade e homossexualidade, respectivamente. Em meio a tanta diversidade, Jarid ainda consegue encaixar o fantástico - característica cara aos clássicos do gênero - no cotidiano da região do Cariri. É o caso de “Os fatos dos gatos” e “Como é ruim cair num buraco”, exemplos mais fiéis à sensação de sonho ou de inesperado que os leitores sempre podem esperar quando leem este gênero. Mas e por que o livro não é perfeito, então? Basicamente, por duas razões simples e muito particulares deste leitor: há contos sobrando de qualidade inferior aos melhores momentos do livro e, além disso, a opção pela sufocante e limitante escolha da primeira pessoa na maioria dos textos da coletânea me desagrada. Como recente entusiasta do gênero, sinto que o distanciamento entre quem narra e o que é narrado contribui de maneira significativa para o efeito de uma (boa) história que se propõe curta. Talvez se o livro tivesse metade dos contos, com uma seleção ainda mais criteriosa, “Redemoinho em dia quente” representaria para a minha geração o que “Antes do baile verde” representa para a geração de 70 e para a literatura brasileira. Infelizmente, não foi esse o caso. O fato de “Redemoinho em dia quente” estar sendo reimpresso constantemente desde seu lançamento evidencia que os leitores brasileiros sentiam falta de representação. Talvez uma representação que muitos nem soubessem que precisavam. Afinal, Jarid Arraes, menina, mulher e de pele preta, é o Brasil real que tenta ser silenciado desde os tempos de Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus, mas que se nega a tal posto. E não é disso, vozes insurgentes em tempos sombrios, que precisamos?

    128 curtidas

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    4.1 / 1951
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
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    Jarid Arraes

    Nascida em Juazeiro do Norte, na região do Cariri (CE), em 12 de Fevereiro de 1991, Jarid Arraes é escritora, cordelista, poeta, vencedora dos prêmios Biblioteca Nacional e APCA e autora dos livros "Corpo desfeito", "Redemoinho em dia quente", “Um buraco com meu nome“, “As Lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis“. Curadora do selo literário Ferina, atualmente vive em São Paulo (SP), onde criou o Clube da Escrita Para Mulheres. Até o momento, tem mais de 70 títulos publicados em Literatura de Cordel.

    31 Livros
    191 Seguidores
    Ceará, Brasil

    Jarid Arraes