“Eli beijou-a, dessa vez suavemente. Poderia passar a vida beijando-a.
— Você é uma parte de mim, Ray. Nunca mais vou deixá-la.”
“Fizera o que devia fazer. Resgatara o irmão de Eli, ninguém ficara seriamente ferido e ela seria paga. Como dissera, havia sido muito fácil.
Exceto pelo fato de ter se apaixonado.”
“Ray o seguia, observando como o ar era fresco e agradável. Respirava o perfume das flores e do feno moído.
O céu, sem fim, tinha um tom de azul que ela nunca vira igual.
— Aqui é muito bonito. Não sei como pode estar sempre viajando.
— Você não estava aqui. Portanto não havia razão para eu ficar.
Os dois entraram no grande celeiro, cujo interior era fresco e fracamente iluminado.
— Não quero que mude a sua vida por minha causa, Eli.
Como resposta, ele a prendeu contra uma parede e começou a beijá-la no rosto, no queixo e, finalmente, nos lábios. Foi um beijo longo e gentil, sem paixão, com muita ternura.
—Você ainda não entendeu, não é, Ray? Eu quero mudar minha vida. Quero tê- la aqui na fazenda e quero um bebê que se pareça com você. Ou comigo. Droga, pode até parecer com Jeremy, desde que seja meu. Quero cuidar de você. Ê quero que você cuide de mim. — Beijou-a novamente, dessa vez com paixão. — Casamento é partilha, Ray. Sem ninguém dando ordens.
Ray não sabia o que era viver sem dar ordens.
— Diga-me que se casará comigo. Por favor.
Gemendo, Ray apoiou a cabeça no ombro dele.
— Ainda não sei se posso ser o que você quer.
— Droga, Ray! Não é algo que você precise fazer conscientemente. As coisas de que eu gosto em você não são qualidades que terá de adquirir. O importante é quem você é, e não o que é.
Ray permaneceu quieta, mal podendo acreditar no que ouvia.
— O que foi, querida? — Eli perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.
— Você disse que há coisas de que você... gosta? — Ray perguntou, timidamente.
Aturdido, ele segurou o rosto dela entre suas mãos.
— Deus do céu, Ray. Não quero assustar você, mas... Droga, sim, eu amo tudo em você. E são qualidades demais para que eu as possa enumerar.
— Por exemplo?
O sorriso dele era terno, e seu olhar, carregado de emoção.
Eli tinha os olhos mais expressivos que Ray já vira. Notara isso naquela noite em que se conheceram naquele bar de quinta categoria e que parecia ter acontecido havia muito, muito tempo.
— Adoro seu gênio e sua lealdade, seu orgulho e seu instinto de proteção. Sua honestidade, sua confiança e força, e seu senso de responsabilidade.
Ray riu, admirada por possuir tantas qualidades.
— Adoro seu andar antipático e sua falta de modéstia, e o modo como não tem consciência da sua sensualidade. — Ele olhou-a ainda mais intensamente. — E seu corpo bonito e saudável. Adoro seu corpo em especial. E o modo como você faz amor comigo. E...
Ray pôs a mão sobre os lábios dele.
— Você está exagerando, Eli.
Ele mordeu a palma da mão de Ray, que gemeu de prazer.
— Estou sendo honesto. Por que não é honesta também? Comigo e com você mesma?
A resistência de Ray ia pouco a pouco sendo vencida. Além do mais, era um pouco tarde para negações. Amava Eli desde que o vira pela primeira vez.”