O presente trabalho teve como meta estudar a relação entre a criminalidade, a intervenção das Forças Armadas no espaço urbano da cidade do Rio de Janeiro e o discurso jornalístico. Levando em conta como se deram os processos de intervenção realizados pelo poder público e as construções jornalísticas que os cercam. Wilson Couto Borges vem preencher um vazio, um silêncio em torno dos acontecimentos relativos à Operação Rio. O emblemático ano de 1994 marcaria o aprofundamento da inserção brasileira no projeto neoliberal e uma guinada à direita do eleitorado fluminense. A “crise da Segurança Pública” fazia parte do arsenal político construído para a derrota do brizolismo e de tudo o que ele representava como projeto nacional. O Rio de Janeiro constituía-se em território estratégico para essa empreitada conservadora. A intervenção federal vinha de encontro do clima gerado pela imprensa, que atualizava a velha tática de “hiperbolização das classes perigosas”, demonstrada historicamente por Gizlene Neder. O autor elabora os efeitos do processo de fixação de significados para a construção de um “individualismo fóbico”, descrito magistralmente por Gisélio Cerqueira Filho. O livro ilumina a história, numa perspectiva muito diferente e pouco divulgada, da fina engenharia empreendida por Nilo Batista para reduzir os danos da intervenção de força que o conservadorismo brasileiro realizava no Rio de Janeiro, na conjuntura eleitoral. O clamor orquestrado para dar passagem ao neoliberalismo, com suas metáforas bélicas, produziu uma ocupação militar nas favelas cariocas, que é a grande fantasia das elites cariocas e brasileiras.
Criminalidade no Rio de Janeiro - A imprensa e a (in)formação da realidade
Wilson Couto Borges
Revan
2006
249 páginas
8h 18m
ISBN-10: 8571063303
Português Brasileiro
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