Parte I:
Basta analisar a sociedade para além do alcance militante e disciplinado da esquerda, em um país de mais de 200 milhões de pessoas, para ver como a maioria, mesmo perturbada com a política, não se sente compelida a tomar as ruas, e as praças, e os prédios, e o Congresso, e o poder assim tão bem quanto a esquerda organizada deseja. Daí o entendimento que a esquerda precisa compreender o verbo mobilizar para além da ação de convocar.
Lideranças convocam, mas o poder de convocatória vem da base, o que depende do que ensinamos à base sobre como mobilizar, pelo que mobilizar e contra o que mobilizar, não importa os ocupantes do poder institucional.
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Parte II:
A práxis, entendida aqui não simplesmente como prática dentro da dialética, mas como a unidade dialética da teoria e prática no movimento da negação, é uma pré-condição para o livre exercício das potencialidades humanas.
É dentro da dialética que encontramos a negação da negação, que são dois estágios diferentes do mesmo processo histórico encabeçado pela humanidade em direção à liberdade e à restauração daquilo pautado como essência humana por Marx: emancipada e criativa.
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Parte III:
À direita pertence a distopia capitalista, à esquerda pertence a utopia socialista. Promover que não é possível mudar o Brasil radicalmente, favorecendo o conformismo com um eterno mal menor ditado pelo capital, é negar nossas utopias, e o fim da utopia na esquerda é o fim da esquerda.
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Um povo despolitizado não se sente representado por ninguém, embora a direita seja capaz de canalizar a indignação por trás da falta de representação ao seu próprio favor, desviando essa indignação contra os ideais de esquerda.
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Parte IV:
As atividades de solidariedade e construção diária ajudam a trazer sentido para a tarefa de organização da classe trabalhadora.
Sem elas, debates políticos nos partidos, mesas nas universidades, panfletos bem formatados ou não, discursos nos carros de som, listas de transmissão no WhatsApp e canais no YouTube podem até trazer a mensagem correta de politização, mas talvez não farão sentido.
Para uma construção ser realmente coletiva, é preciso que a esquerda enxergue a base a ser interpelada e organizada como ator político também, e não como apenas um corpo a ser acionado quando a conjuntura chama.
Se o objetivo é organizar de forma politizada, o primeiro passo é reconhecer a enorme tarefa que é restaurar a práxis com sentido.
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