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    O Primo Basílio (Coleção Prestígio) -

    Eça de Queiroz

    Edições de Ouro / Tecnoprint Gráfica Editora S. A.
    1979
    252 páginas
    8h 24m
    ISBN-13: 9788508043422
    Português Brasileiro
    3.8
    3 avaliações
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    A obra retrata a história do casal Jorge e Luísa, pertencentes à burguesia portuguesa do século XIX. A trama passa-se em Lisboa, na capital portuguesa. Jorge, marido de Luísa, vai viajar a trabalho e ela recebe a visita de seu primo Basílio. Nesse ínterim, eles que já tiveram uma relação anterior, acabam por consumar o desejo latente...

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    digital_ pages 02/04/2026Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    O Peso das Aparências

    O Primo Basílio é, sem dúvida, uma das obras mais conhecidas da literatura portuguesa. Ainda assim, apesar de toda a sua relevância, foi uma leitura que não conseguiu me cativar tanto quanto eu esperava. A edição que li era bastante antiga, provavelmente datada do início dos anos 1900 (não tenho certeza da data exata), o que influenciou bastante a experiência. A linguagem é marcada por um português mais arcaico, distante do que usamos hoje, o que torna a leitura mais lenta e, em alguns momentos, até cansativa. Não chega a ser inacessível, mas exige um esforço maior de adaptação. Sobre o enredo, é impossível não reconhecer que havia ali potencial para algo profundamente trágico ou até um romance mais intenso e emocional. O Primo Basílio não é superficial, é cheio de emoções, o que explica as traições, mentiras e conflitos que marcam a história. A obra provoca reflexão sobre comportamento humano e sociedade, mas, para mim, não criou uma conexão intensa. É um livro interessante de observar, mas não exatamente cativante. Não é uma crítica ao autor, Eça de Queirós é, sem dúvida, um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa, e sua importância é inquestionável. Mas, na minha experiência pessoal, a obra acabou deixando um pouco a desejar. Curiosamente, alguns acontecimentos ao longo da narrativa, por mais problemáticos ou desconfortáveis que sejam, conseguem ser surpreendentes. São momentos que fazem o leitor parar e pensar: “o que estava passando pela cabeça do autor ao construir isso?”. Essa imprevisibilidade até mantém certo interesse, mas não foi suficiente para tornar a leitura realmente envolvente. No fim, O Primo Basílio é uma obra importante, mas que, para mim, não funcionou tão bem quanto sua fama sugere.

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    3.8 / 3
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    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz