O grande defeito deste livro é não ser o A Storm of Swords, seu antecessor na série, e ter saído após um lapso de quatro anos, o que só fez crescer as expectativas sobre seu conteúdo.
Aqui, ao contrário do volume anterior, já não há espaço para batalhas e reviravoltas chocantes: pelo contrário, há a introspecção e a reflexão por parte dos personagens - só metade dos POV's anteriormente abordados, os demais serão revistos no próximo livro da série, A Dance with Dragons, ainda sem data de lançamento definida.
A Guerra dos Cinco Reis chegou ao fim, não sem antes produzir efeitos devastadores por Westeros, como a falta de recursos alimentares, o advento de bandos de criminosos e o total caos entre a população geral. A política também passa por momentos atribulados após as baixas da guerra e a reestruturação que se faz necessária.
E somos apresentados a dois outros jogadores do Jogo de Tronos: os Ironborn, habitantes das Iron Islands, e o povo de Dorne, o reino do extremo sul do continente, que colocam suas cartas no tabuleiro diante da luta pelo Trono de Ferro.
Enquanto isso, observamos pelos olhos dos personagens já conhecidos, a devastação causada pela guerra e a estabilização política do governo, mas também viajamos pela busca de um ideal quase quixotesco, os processos de perda de identidade e também de recuperação de ideais antigos, o caminho tortuoso que leva à loucura.
Também é de se notar que neste livro a prosa de George R. R. Martin se encontra em sua melhor forma, devendo destacar o capítulo Cat of Cannals como um dos mais belos de toda a série. O tom intimista só reforça aquilo que já se sabe desde o primeiro livro: o inverno está vindo.
É a calmaria após a tempestade de espadas, mas mais tormentas já apontam no horizonte... E é um livro que merece ser lido com muito carinho por todos os fãs da série.