Antes de tudo: QUE LIVRO.
Não só pelo valor histórico ou literário, mas porque ele me virou do avesso. Essa utopia centenária escrita por Charlotte Perkins Gilman em 1915 me colocou num lugar de desconforto reflexivo mas, daqueles dos bons. Sabe quando a gente termina uma leitura e não consegue esquecer a história de jeito nenhum? Foi isso.
A proposta da Charlotte é genial e provocadora: uma sociedade só de mulheres, que há mais de dois mil anos está sem contato com homens, vivendo de forma altamente racional, cooperativa e profundamente ética. Sem guerras, sem fome, sem miséria... é difícil imaginar isso, não é? Mas calma que tem mais.
Além do lance da partenogênese (bora pesquisar o que é isso?), o que mais me pegou foi acompanhar a cabeça dos homens que entram nesse território. Três exploradores, cada um com um perfil masculino diferente (o racional, o romântico, o machista puro sangue tipo hetero-top), tentando entender um mundo onde o patriarcado nunca existiu e, falhando miseravelmente. A tensão entre o olhar masculino colonizador e a civilização pacífica de Terra das Mulheres é o verdadeiro motor da história.
Ler esse livro como homem foi, antes de tudo, um exercício de reflexão. Me senti virado do avesso, percebendo que muito do que parece "natural" é apenas cultural, histórico, aprendido.
Mas veja bem, Terra das Mulheres não é um livro "contra" os homens é um livro a favor de um futuro mais justo, que me convidou a imaginar que outras formas de existir são possíveis, mesmo que desafiem tudo o que eu conheço.
Então sim, recomendo fortemente essa leitura.
Agora, pra minha amiga Fabianne, que bom que você passou este livro na frente da fila. Ele também furou minha pilha aqui, graças a um grupo de Leitura Coletiva que sempre inclui escritoras de ficção científica entre as leituras do grupo.