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    O Mistério da Estrela - Stardust

    Neil Gaiman

    Rocco
    2008
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788561384357
    Português Brasileiro
    4.1
    7432 avaliações
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    Favoritos1105Desejados7898Avaliaram7432

    O mistério da estrela – Stardust conta a história do jovem Tristran Thorn, que promete capturar uma estrela cadente para conquistar o coração de sua amada. Para levar a cabo a missão, Tristran tem que atravessar o portal que separa o vilarejo de Muralha, encrostado “num alto afloramento de granito no meio de uma pequena região de floresta”, na Inglaterra Vitoriana, da Terra Encantada. Poucos ousam cruzar o portal, exceto durante a Festa da Primavera, que acontece de nove em nove anos. Nessa época, uma grande feira se instala no local e os moradores de Muralha, bem como visitantes de todas as partes do mundo, entram em contato com os seres que habitam o outro lado. Foi o que ocorreu muitos anos antes, quando Dunstan Thorn, o pai de Tristran, cruzou o portal e conheceu uma bela e misteriosa jovem de olhos cor de violeta, a verdadeira mãe de Tristran. Em sua jornada pela Terra Encantada, Tristran Thorn, que desconhece sua origem, mas tem a força impetuosa dos apaixonados, enfrentará perigos e armadilhas, conhecerá seres fantásticos, que vivem num mundo regido por leis próprias, e precisará de inteligência, coragem e uma boa dose de intuição para realizar o Desejo de seu Coração, ao melhor estilo das narrativas de fantasia. Sua luta, no entanto, revela-se outra ao longo das páginas. E sua saga é temperada pelo bom humor, a ironia e a visão singular do bem e do mal, do certo e do errado, do real e do imaginário, da vida e da morte que caracteriza a obra de Neil Gaiman.

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    Luciana Darce picture
    Luciana Darce25/01/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para ler: Stardust

    Não sei se li um número suficiente de livros escritos por Neil Gaiman para fazer uma afirmação tão temerosa, mas aí vai: você é capaz de reconhecer um conto, romance ou roteiro dele, mesmo sem saber previamente quem é o autor, pela marca registrada de todas as suas narrativas o tom onírico, que está sempre balançando entre o sonho e o pesadelo, entre o belo e o terrível. As histórias de Gaiman guardam, todas elas ou quase todas, porque eu posso pensar numa exceção nesse minuto e da qual vamos tratar mais adiante no texto a beleza de Faërie - a descrição que Tolkien faz das histórias de fadas se aplica completamente ao que seu patriota escreve uma beleza que é um encantamento, e um perigo sempre presente; alegrias e tristezas agudas como espadas. Na verdade, Faërie aparece especificamente em pelo menos duas obras: é o mundo além do Muro, onde se passam as aventuras do romance Stardust e é também um reino com o qual o Sonhar mantém relações cordiais e diplomáticas a depender do ponto de vista, é caro, porque Lorde Morpheus não é lá a criatura mais diplomática do mundo... na série Sandman. Aqui, há de se abrir um importante parênteses: quando falo em histórias de fadas, não estou falando dos contos estilo Disney de ser, ou de criaturas diminutas que se escondem por trás de lírios e gardênias. Algum outro dia voltaremos a este assunto com mais profundidade, porque é uma das minhas discussões favoritas dentro do folclore/mitologia e Tolkien trabalhou o tema de forma admirável no ensaio Sobre Histórias de Fadas - que volta e meia venho citando por aqui e que é um livro que eu mais que recomendo a todos que gostam de ficção fantástica. Por agora, comecemos com Stardust. Talvez muitos de vocês já conheçam, ao menos por cima, do que se trata o enredo dessa história, uma vez que ela virou filme em 2007, com Claire Danes no papel de Yvaine, além de figuras como Michelle Pfeiffer e Robert De Niro. Stardust trata da jornada do jovem Tristan Thorn, atrás de uma Estrela. Tudo começa, na verdade, com o pai de Tristan, Dunstan Thorn, que está servindo como vigia junto à brecha do Muro, que dá nome à vila. O Muro divide a passagem entre o nosso mundo... e Faërie. Durante anos, décadas, séculos, o bom povo da vila do Muro guardou aquela passagem, impedindo que qualquer pessoa passasse de um lado para outro, exceto por um dia, a cada nove anos, quando ocorre a Feira. E, ao princípio do livro, chegamos exatamente a esse evento, acompanhando Dunstan enquanto ele trafega e se diverte na feira, onde conhece uma estranha garota, escrava de uma bruxa com quem ele dormindo. Nove meses depois, um embrulho aparece surpreendentemente a sua porta... E é assim que conhecemos Tristan. A história então dá um salto temporal encontramos Tristan com dezessete anos, apaixonado por Victoria Forster, a garota mais bonita do vilarejo. Ele a está acompanhando na caminhada até sua casa, tentando encontrar uma maneira de roubar-lhe um beijo quando os dois vêem uma estrela cadente. A princípio, Tristan não dá maior atenção à estrela, em vez disso prometendo mundos e fundos por um beijo de Victoria: ele promete viajar ao Egito, encontrar a nascente do Nilo e nomeá-la em homenagem a ela; partir para São Francisco, para as minas e só voltar com o peso dela em ouro, viajar até a Austrália e presenteá-la com opalas... e um canguru. Sério, ele realmente oferece um canguru em troca de um beijo e a mão da moça em casamento. Excelente idéia de dote, sem dúvida alguma... Finalmente, o rapaz diz (numa tradução altamente mais ou menos minha...): Beije-me, ele implorou Não há nada que eu não faria por seus beijos, nenhuma montanha que eu não escalasse, nem rio que eu não vadeasse, nem deserto que eu não cruzasse. Ele gesticulou grandemente, indicando a vila do Muro abaixo dele, o céu noturno acima deles. Na constelação de Órion, abaixo do horizonte leste, uma estrela estremeceu, brilhou e caiu. Por uma estrela, e sua mão em casamento, disse Tristan, grandiloqüente, Eu traria aquela estrela cadente. Diante dessa promessa, Victoria cede se ele lhe trouxer a estrela cadente, ela se casará com ele. Só que a estrela caiu do outro lado do Muro e assim é que Tristan tenta enganar os guardiães... para então ter a ajuda do pai, que vem lembrar a todos que seu menino pertence àquele mundo que está do outro lado. Embora Tristan não entenda essa parte, a princípio... O que ele não esperava, contudo, em sua campanha, encontrar no lugar de uma rocha fumegante, uma garota de cabelos tão claros que eram quase brancos e que brilhava ligeiramente no escuro: Yvaine, a estrela cadente. Obviamente que levar Yvaine para Victoria não será uma missão fácil. Para início de conversa, Yvaine não está feliz por ter sido jogada do céu para a terra; tampouco de servir de presente de casamento para uma garota humana. No meio da história, temos ainda os príncipes de Stormhold, um dos reinos de Faërie, atrás da jóia que lhes fará rei e uma Bruxa-Rainha disposta a arrancar o coração da estrela a fim de recuperar sua juventude. Ao longo da história, Yvaine vai suavizando com Tristan, ao mesmo tempo em que o rapaz cresce porque, venhamos e convenhamos, ele era típico meninão no começo da história. Tristan amadurece muito ao longo de suas andanças por Faërie, de volta para a Vila do Muro e esse amadurecimento será primordial para o papel que assumirá mais tarde. O filme faz uma boa adaptação da história do livro, só que ele segue um pouco mais a linha Disney de Contos-de-Fadas, com aquele final de viveram felizes para sempre. Funciona bem no filme, é engraçadinho e tudo o mais. O livro, por seu turno, tem um final mais melancólico. Sim, os personagens são felizes, mas não para sempre. O final do livro de Stardust rende uma reflexão interessante sobre eternidade e mortalidade e, embora eu tenha simplesmente me encantado com a história, não posso negar que ao chegar às últimas linhas, ele me deixou um sabor agridoce na memória. Curiosidade interessante: Gaiman usa como introdução ao livro um poema de Jonh Donne, chamado Vá e agarra a estrela cadente; poema esse que serve como base para a maldição de Howl no O Castelo Animado de Diana Wynne Jones. Aí vai o poema, na tradução de Jorge de Sena: Agarra a estrela cadente, mandrágora vê se emprenhas, encontra o tempo fugente, quem ao Diabo deu as manhas, diz-me como ouvir sereias, não sofrer de invejas feias e que brisa nos avisa dos caminhos que alma pisa. Se é teu destino buscar que não há quem veja ou meça, noite e dia hás-de trotar Até que a neve te embranqueça, e ao voltar dirás que baste maravilhas que passaste e que não viste então uma mulher sem senão. Se uma achaste verdadeira, valeu-te a pena a cruzada. Mas eu não caio na asneira de tê-la por minha amada. Honesta seria ainda ao tempo da tua vinda. Mas agora já teve hora de a dois ou três ser traidora.

    107 curtidas

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    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas21%
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    Neil Richard Gaiman profile picture

    Neil Richard Gaiman

    Neil Gaiman nasceu em 1960, na cidade de Portchester, Inglaterra. Desde pequeno, demonstrou sua ligação com os quadrinhos. Seu trabalho mais conhecido é "Sandman", que o imortalizou entre os fãs de HQs. Por 75 números, Gaiman e "Sandman" foram se tornando cada vez mais famosos. A série tornou-se o carro-chefe do selo Vertigo, destinado a um público geralmente adulto que não queria mais saber de super-heróis. O autor ganhou reconhecimento da crítica ao receber prêmios ao redor do mundo, entre eles o prestigiado World Fantasy Award, geralmente concedidos apenas a obras em prosa. Entre outros vários trabalhos com HQs, romances e roteiros, Gaiman publicou os livros "Coraline", "Deuses Americanos" e "O Livro do Cemitério".

    833 Livros
    6.68 Seguidores
    Hampshire, Inglaterra

    Neil Richard Gaiman