Machado de Assis. Estudo Crítico e Biográfico. -

    Lucia Miguel Pereira

    Edições do Senado Federal
    2019
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788570187826
    Português Brasileiro

    Lúcia Miguel Pereira (1901-1959) é uma das figuras mais importantes da crítica literária brasileira. Seu livro sobre a vida e a obra do autor de Dom Casmurro, publicado em 1936, é marcado pelo ineditismo de biografar, de maneira acadêmica, o nosso maior escritor. O estudo de Lúcia Miguel Pereira ingressa também na crítica literária e aponta caminhos que mais tarde outros autores desenvolverão. Para a época, mais que seu arsenal crítico, ele continha a intuição e a sensibilidade estética da autora. André Maurois, célebre biógrafo francês, escreveu sobre o livro em Les Nouvelles littéraires: “Uma biografia que é modelo deste difícil gênero”. Agora em sua sexta edição, o volume traz os quatro prefácios anteriores assinados pela autora, além de uma introdução do escritor Fábio Coutinho. Hoje, nenhum estudo sobre Machado de Assis pode dispensar em sua bibliografia o trabalho crítico e biográfico de Lúcia Miguel Pereira.

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    Marcos Atalo30/11/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Não era bem o que eu esperava...

    O livro trata mais do Machado de Assis através de suas obras do que de suas obras através do escritor. Logo no primeiro capítulo já é dito que ele era extremamente reservado, pouco se sabendo sobre sua vida pessoal, já que ele quase não deixou registros. A autora então parte do pressuposto de que trouxe estes detalhes em seus livros. O livro foi publicado em 1936 (apenas 28 anos após a morte de Machado de Assis), sendo a primeira biografia de Machado de Assis, e talvez isso influencie a minha percepção, já que pouco do que é narrado sobre a vida pessoal dele é novidade para mim. Algumas questões foram tratadas com base mais em suposições do que em fatos. O principal exemplo é a necessidade que Machado tinha de esquecer o passado (especialmente sua origem humilde) para adentrar efetivamente sua nova realidade (de homem de classe média e depois de principal escritor brasileiro de sua geração); fiquei me perguntando a todo momento se isso efetivamente aconteceu ou se retrata mais a visão que foi feita dele (e, em gral, é feita de toda pessoa que tem uma ascensão social). Apesar disso, há registros de que abandonou sua madrasta que o criou sozinha após o falecimento de seu pai. Mas para conhecer melhor as obras de Machado este livro é incrível (especialmente os romances e alguns contos – - o teatro e a poesia ela passou batido). Muito interesse ver que questões que parecem ser muito recentes, talvez porque convenientemente foram esquecidas, são abertamente tratadas no livro, como a ascendência de Machado e a interpretação de Dom Casmurro (se Capitu traiu Bentinho ou se isso era coisa da cabeça dele – apesar do valor literário da obra ser outro, o foco maior está na construção desse relacionamento e personalidade dos personagens). Com certeza irei utilizar este livro como consulta ao reler os romances de Machado. Sobre Dom Casmurro, é o livro menos “autobiográfico” de Machado, de acordo com Lucia Pereira, apesar de ser sua única história de amor. ‘’Os outros romances da mocidade traem as suas lutas íntimas para subir de classe, as Memórias póstumas e o Quincas Borba refletem a posição do seu espírito, o Memorial de Aires é confessadamente autobiográfico, o Esaú e Jacó põe em cena o ideal machadiano do conselheiro Aires, e tem, na Flora, muito da indecisão do autor’’ (p. 225).

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