Diversos países têm seus gigantes nacionais, responsáveis por trazer divisas, gerar trabalho e riquezas por onde espalham suas pegadas. O PT teve projeto de criar grandes conglomerados que ganhassem o mundo, mas como intuito básico de desviar dinheiro do erário para abastecer o caixa do partido, de políticos e de pessoas de su interesse. A JBS dos irmãos Wesley e Joesley Batista foi um desses projetos e acabou se tornando "carne da carne" do Partido dos Trabalhadores, num sentido apenas escuso da citação bíblica. A empresa utilizou o BNDES, a Caixa Econômica Federal e outros agentes públicos e privados para suas fraudes e espalhou seus tentáculos para diversas áreas de negócios, prejudicando inúmeros empresários, trabalhadores e o contribuinte, na ponta final. Este livro conta a história dessas falcatruas de maneira simples e fácil de entender. O que é difícil de compreender é como o Brasil produz tantos personagens que surgem como paladinos do empreendedorismo para se revelarem, em seguida, meros traidores da lei.
Traidores da pátria - as maracutaias dos Irmãos Batista na JBS
Claudio Tognolli
Edições (1)
Ver maisCorrupcao generalizada
Estarrecedores os valores envolvidos. Praticamente todos os partidos, de forma vertical, da União aos municípios, de todos os poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário envolvidos. Excelente trabalho de jornalismo invesrigativo por Cláudio Tognolli. Vale a pena trazer o capítulo final: "Epílogo Por que o crime compensou? Pós-FHC, a economia ia de vento em popa. Numa reunião no Planalto, com Palocci, nos primeiros quatro anos de sua octaetéride, Lula decidiu: o capitalismo brasileiro precisava gerar um “enfant terrible”, posteriormente transformado em “enfant gâté”, que vendesse, em sua figura, a ideia de que “fazer a América” agora era um atributo tecnicamente aplicável ao Brasil. Lula olhava para os Estados Unidos via gente que saiu do nada, como Elon Musk e Mark Zuckerberg, perfazendo milhões. E assim foram escolhidos os irmãos Batista e Eike Batista. Eram o produto perfeito para se vender a ideia de que investir no Brasil conotava converter-se em rico em pouco tempo. O que o mercado internacional não sabia era que tudo aquilo era o que os alemães chamam de “ersatz”, uma meia-confecção. E que por detrás do novo sucesso do capitalismo brasileiro estavam a Petrobras e o BNDES– este dando bilhões como se dá bom dia. Naquela época já se aplicava tortamente o conceito de capitalismo de Estado: você toma dinheiro do Estado, compra políticos, partidos, e, quanto mais faz isso, mais bufunfa mete nos bolsos. A maracutaia perfeita. Gota a gota, os irmãos Batista se transformaram em patriotas contra o Brasil. O grande mote de Lula, enchê-los de dinheiro público, era a política de campeões nacionais. Assim, os irmãos Batista rapinaram o Brasil comprando políticos e partidos com dinheiro dos contribuintes. No auge do recebimento dessa mamata, os Batista tentaram mudar a sede da empresa para a Irlanda. Não conseguiram. A ideia era construir o grupo e se aboletarem, como tentaram, ao irem morar em Nova York. O Brasil foi sendo traído a conta-gotas. Com 1.870 políticos comprados, ameaçaram a democracia brasileira desde a raiz, comprando de deputados estaduais, governadores, senadores e, como indicam as atuais investigações, até o presidente. Os irmãos traidores da pátria corroeram a democracia brasileira, sempre mirando o objetivo inequívoco de, num futuro desejadamente vindouro, transferirem tudo para o exterior. Esse tipo de rapinagem é biológico. Há na biologia um fenômeno que se chama “lancet flukes”. Há uns 20 exemplos catalogados na ciência. Um protozoário chamado Toxoplasma gondii penetra o cérebro do rato. Este, contaminado, passa a perder o medo do gato e deixa de sentir o cheiro da urina de seu inimigo, como aviso de sua presença. O rato passa a vagar intimoratamente, sem medo. É devorado pelo gato. E o Toxoplasma gondii passa a se reproduzir no intestino do gato. Ou seja, o rato morreu em prol de algo que o contaminou. Os irmãos Batista, biologias à parte, passaram a atuar como “flukes” da democracia brasileira. Instalaram-se no bolso de quase dois mil políticos e passaram a controlar seus corações e mentes em prol de um objetivo há muito estabelecido: tungar o dinheiro público brasileiro, levá-lo ao exterior e trair o Brasil em nome de serem supostos frutos de um capitalismo emergente e prometeico. A rapinagem, digamos que até tecnicamente biológica, ganhou um nome muito simples: traidor da pátria. Um sistema cavilosamente urdido, mas nem tão difícil de ser executado: o dinheiro do BNDES comprou facilmente a tudo e a todos. Um repórter do The New York Times chegou a escrever que a diferença entre o Brasil e os Estados Unidos é que lá você fica rico para depois virar político, e aqui você vira político para depois ficar rico. Os traidores da pátria nada tiveram de Esaú e Jacó: não agiram assimetricamente, nivelaram seus destinos tecnicamente com o mesmo objetivo– e contaram com milhares de políticos que, como já dito, entraram na política para ficarem ricos. Os irmãos Batista estão envolvidos em investigações até o osso. Fizeram um acordo de leniência, pelo qual a JBS vai pagar R $ 10 bilhões em 25 anos, um acordo pra lá de generoso. A delação premiada dos irmãos, rescindida pelo Ministério Público Federal (MPF), agora está em julgamento pelo STF. Se a rescisão for mantida pelo Supremo, é provável que eles voltem para a prisão. De acordo com o MPF, “os dois descumpriram os termos da colaboração ao omitirem, de forma intencional, fatos criminosos dos quais tinham conhecimento no momento do fechamento dos acordos firmados [...]. No caso de Wesley, a decisão da procuradora-geral considerou indícios de prática de crime quando o empresário já se encontrava na condição de colaborador”. E ainda se investigam os políticos que foram comprados. A pergunta é: só os irmãos traíram o Brasil? Não, absolutamente não: o Brasil traiu o Brasil. Apenas dispúnhamos de 2 mil políticos de bolsos abertos esperando condições objetivas para que pudessem se prostituir. Eis que surgem, como dois Moisés ensandecidos, os traidores Batista brandindo maços de dólares– oportunidade única para a classe política já acostumada a mamar nas tetas do Estado via Mensalão e Petrobras. Estaremos, em pleno 2019, sujeitos a repetição desse esquema? Óbvio que sim. Nosso quadro político apenas espera outros traidores da pátria para encherem as burras. O futuro é mais negro que asa de graúna, graças a um passado recente detalhadamente construído pelos irmãos que traíram a pátria em prol do próprio bolso. Os irmãos traidores foram, em essência, patriotas contra o Brasil."
Estatísticas
Avaliações
3.8 / 4- 5 estrelas25%
- 4 estrelas50%
- 3 estrelas25%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%

