Traidores da pátria - as maracutaias dos Irmãos Batista na JBS

    Claudio Tognolli

    Matrix
    2019
    250 páginas
    8h 20m
    ISBN-13: 9788582305218
    Português Brasileiro

    Diversos países têm seus gigantes nacionais, responsáveis por trazer divisas, gerar trabalho e riquezas por onde espalham suas pegadas. O PT teve projeto de criar grandes conglomerados que ganhassem o mundo, mas como intuito básico de desviar dinheiro do erário para abastecer o caixa do partido, de políticos e de pessoas de su interesse. A JBS dos irmãos Wesley e Joesley Batista foi um desses projetos e acabou se tornando "carne da carne" do Partido dos Trabalhadores, num sentido apenas escuso da citação bíblica. A empresa utilizou o BNDES, a Caixa Econômica Federal e outros agentes públicos e privados para suas fraudes e espalhou seus tentáculos para diversas áreas de negócios, prejudicando inúmeros empresários, trabalhadores e o contribuinte, na ponta final. Este livro conta a história dessas falcatruas de maneira simples e fácil de entender. O que é difícil de compreender é como o Brasil produz tantos personagens que surgem como paladinos do empreendedorismo para se revelarem, em seguida, meros traidores da lei.

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    Jorge de Campos08/02/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Corrupcao generalizada

    Estarrecedores os valores envolvidos. Praticamente todos os partidos, de forma vertical, da União aos municípios, de todos os poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário envolvidos. Excelente trabalho de jornalismo invesrigativo por Cláudio Tognolli. Vale a pena trazer o capítulo final: "Epílogo Por que o crime compensou? Pós-FHC, a economia ia de vento em popa. Numa reunião no Planalto, com Palocci, nos primeiros quatro anos de sua octaetéride, Lula decidiu: o capitalismo brasileiro precisava gerar um “enfant terrible”, posteriormente transformado em “enfant gâté”, que vendesse, em sua figura, a ideia de que “fazer a América” agora era um atributo tecnicamente aplicável ao Brasil. Lula olhava para os Estados Unidos via gente que saiu do nada, como Elon Musk e Mark Zuckerberg, perfazendo milhões. E assim foram escolhidos os irmãos Batista e Eike Batista. Eram o produto perfeito para se vender a ideia de que investir no Brasil conotava converter-se em rico em pouco tempo. O que o mercado internacional não sabia era que tudo aquilo era o que os alemães chamam de “ersatz”, uma meia-confecção. E que por detrás do novo sucesso do capitalismo brasileiro estavam a Petrobras e o BNDES– este dando bilhões como se dá bom dia. Naquela época já se aplicava tortamente o conceito de capitalismo de Estado: você toma dinheiro do Estado, compra políticos, partidos, e, quanto mais faz isso, mais bufunfa mete nos bolsos. A maracutaia perfeita. Gota a gota, os irmãos Batista se transformaram em patriotas contra o Brasil. O grande mote de Lula, enchê-los de dinheiro público, era a política de campeões nacionais. Assim, os irmãos Batista rapinaram o Brasil comprando políticos e partidos com dinheiro dos contribuintes. No auge do recebimento dessa mamata, os Batista tentaram mudar a sede da empresa para a Irlanda. Não conseguiram. A ideia era construir o grupo e se aboletarem, como tentaram, ao irem morar em Nova York. O Brasil foi sendo traído a conta-gotas. Com 1.870 políticos comprados, ameaçaram a democracia brasileira desde a raiz, comprando de deputados estaduais, governadores, senadores e, como indicam as atuais investigações, até o presidente. Os irmãos traidores da pátria corroeram a democracia brasileira, sempre mirando o objetivo inequívoco de, num futuro desejadamente vindouro, transferirem tudo para o exterior. Esse tipo de rapinagem é biológico. Há na biologia um fenômeno que se chama “lancet flukes”. Há uns 20 exemplos catalogados na ciência. Um protozoário chamado Toxoplasma gondii penetra o cérebro do rato. Este, contaminado, passa a perder o medo do gato e deixa de sentir o cheiro da urina de seu inimigo, como aviso de sua presença. O rato passa a vagar intimoratamente, sem medo. É devorado pelo gato. E o Toxoplasma gondii passa a se reproduzir no intestino do gato. Ou seja, o rato morreu em prol de algo que o contaminou. Os irmãos Batista, biologias à parte, passaram a atuar como “flukes” da democracia brasileira. Instalaram-se no bolso de quase dois mil políticos e passaram a controlar seus corações e mentes em prol de um objetivo há muito estabelecido: tungar o dinheiro público brasileiro, levá-lo ao exterior e trair o Brasil em nome de serem supostos frutos de um capitalismo emergente e prometeico. A rapinagem, digamos que até tecnicamente biológica, ganhou um nome muito simples: traidor da pátria. Um sistema cavilosamente urdido, mas nem tão difícil de ser executado: o dinheiro do BNDES comprou facilmente a tudo e a todos. Um repórter do The New York Times chegou a escrever que a diferença entre o Brasil e os Estados Unidos é que lá você fica rico para depois virar político, e aqui você vira político para depois ficar rico. Os traidores da pátria nada tiveram de Esaú e Jacó: não agiram assimetricamente, nivelaram seus destinos tecnicamente com o mesmo objetivo– e contaram com milhares de políticos que, como já dito, entraram na política para ficarem ricos. Os irmãos Batista estão envolvidos em investigações até o osso. Fizeram um acordo de leniência, pelo qual a JBS vai pagar R $ 10 bilhões em 25 anos, um acordo pra lá de generoso. A delação premiada dos irmãos, rescindida pelo Ministério Público Federal (MPF), agora está em julgamento pelo STF. Se a rescisão for mantida pelo Supremo, é provável que eles voltem para a prisão. De acordo com o MPF, “os dois descumpriram os termos da colaboração ao omitirem, de forma intencional, fatos criminosos dos quais tinham conhecimento no momento do fechamento dos acordos firmados [...]. No caso de Wesley, a decisão da procuradora-geral considerou indícios de prática de crime quando o empresário já se encontrava na condição de colaborador”. E ainda se investigam os políticos que foram comprados. A pergunta é: só os irmãos traíram o Brasil? Não, absolutamente não: o Brasil traiu o Brasil. Apenas dispúnhamos de 2 mil políticos de bolsos abertos esperando condições objetivas para que pudessem se prostituir. Eis que surgem, como dois Moisés ensandecidos, os traidores Batista brandindo maços de dólares– oportunidade única para a classe política já acostumada a mamar nas tetas do Estado via Mensalão e Petrobras. Estaremos, em pleno 2019, sujeitos a repetição desse esquema? Óbvio que sim. Nosso quadro político apenas espera outros traidores da pátria para encherem as burras. O futuro é mais negro que asa de graúna, graças a um passado recente detalhadamente construído pelos irmãos que traíram a pátria em prol do próprio bolso. Os irmãos traidores foram, em essência, patriotas contra o Brasil."

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