Transcendência E História -

    Glenn Hughes

    Danúbio Editora
    2019
    274 páginas
    9h 8m
    ISBN-13: 9788567801209
    Português Brasileiro

    Este livro é uma análise daquilo que o filósofo Eric Voegelin descrevia como o problema decisivo da filosofia: o dilema da descoberta de um sentido transcendente e o impacto desta descoberta sobre o entendimento que o homem faz de si mesmo. As principais tradições religiosas e filosóficas do mundo se ergueram a partir do reconhecimento do sentido transcendente da existência. Contudo, nos últimos três séculos o pensamento ocidental tem visto uma crescente resistência à estas concepções; as interpretações contemporâneas e pós-modernas da condição humana indicam uma perda de confiança e convicção na realidade de um sentido maior. Gleen Hughes, desenvolvendo a partir do pensamento de Eric Voegelin e Bernard Lonergan, percorre milênios de história humana, das sociedades antigas até o presente, e busca recuperar a compreensão da transcendência, examinando as suas relações com a estrutura da história. Transcendência e História terá particular valor para os interessados no estudo de filosofia, religião comparada, teoria política, história, antropologia, além de arte e poesia. Glenn Hughes (1951) é professor de filosofia na St. Mary´s University, em San Antonio, Texas. Ele é membro do Eric Voegelin Institute e autor de vários livros sobre filosofia publicados nos Estados Unidos.

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    Marcelo matos18/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bom livro sobre temáticas interessantes

    Leitura muito boa para interessados em filosofia da religião, história e linguagem. ( certamente não é uma introdução a nenhuma dessas disciplinas é necessário ter um mínimo de conhecimento antes de ler o livro de Hughes) Eu não consideraria um livro apresentando uma tese original, na verdade é mais uma leitura diferente dos autores pois esse se dedica a mostra como a poesia e a literatura do século XX em Yets, Thomas Mann, Erza Pound, T.S Eliot, Reiner Rilke e etc, esses literatos chegaram a representar nos corpos de suas obras preocupações e temas com a questão da transcendência e a relação que o homem tem com esta, essa é a "questão fundamental" para o pensamento tardio de Eric Voegelin que certamente é o pensador que é hegemônico na estrutura do livro. O livro se fundamenta na epistemologia do Teólogo Canadense Bernard Lonergan que tem uma base bastante Kantiana, porém se a revolução copernicana de Kant orienta a teoria do conhecimento do "objeto de conhecimento" para o "sujeito que conhece", Lonergan aparentemente trás a questão para um paradigma quântico onde sua questão é como na consciência individual se dão as diferenciações de acesso do indivíduo ( entendimento) aos sistemas de significação do Real seja por meio do Mito, do senso comum, da linguagem, das ciências e da religião e como a perspectiva da existência de uma realidade transcendental permitiria uma articulação dessas esferas de significação que tivessem um sentido inteligível e permite-se a crítica a fragmentação do conhecimento que nossa época vive. Se valendo de um sofisticado aparato epistemológico Hughes se lança a análise da obra de Voegelin, seria importante salientar que o livro é uma boa introdução ao velho Voegelin, o Voegelin de Anamnesis e ordem e história principalmente do livro 4 a Era Ecumênica. O problema do qual Voegelin parte é a extremo sentimento de desorientação que particularmente a sociedade ocidental sentiu no pós guerras mundiais, Voegelin tentava apontar para o "esquecimento do sentido último do Ser" e isso se dava por um obscurecimento da consciência humana que se tornava incapaz de apreender as significações de realidades simbólicas universalmente compartilhadas que apontavam que a consciência humana é universalizavel pelas comunicações das experiências de participação em uma ordem transcendente que em última instância atribuí sentido ao mundo e a vida humana e nos aliviaria da essência absurda do "terror da história". Voegelin parte em uma empreitada que o leva a refletir sobre a própria história da humanidade e as suas tentativas de articular a ordem transcente com o mundo da vida e como se dão historicamente as diferenciações desses modos de representação simbólica da ordem transcendetal das "sociedades cosmologicas" passando pelas "sociedades axiais" até as sociedades imanetistas-secularizadas ( pós axiológicas) em um esquema histórico bastante tributável ao brilhante livro Origens e fim da história ( fim da história aqui tem um sentido de finalidade e não é o sentido neohegeliano de Fukuyama que aponta para um cessar do movimento histórico) de Karl Jaspers, obra inexplicavelmente nunca traduzida para o português. Voegelin se dedica a mostrar como as filosofias imanentistas terminaram por promover o esquecimento das experiências fundamentais de participação na Ordem o que promoveu uma atrofiamento ontológico do homem e o levou a absolutizar aspectos parciais da realidade imanente sejam As Nações, Os Führes, as ideologias, a ciências, o consumismo, a fofoca etc, Voegelin se esforça para demonstrar que a atrofia ontológica do homem o levou ao apequenamento e mesquinharia da existência. Nesse sentido talvez seja importante salientar que talvez seja interessante uma leitura conjunta de Ordem e História com A filosofia das formas simbólicas de Ernst Cassirer para o apontamento de semelhanças nos seus projetos e as semelhanças. A diferença fundamental em minha perspectiva é que Cassirer tem uma firme convicção iluminista, o levava a uma visão progressiva história, Cassirer acreditava firmemente que a Civilização moderna venceria a Barbárie do século XX, enquanto Voegelin era um filósofo de caráter místico e bastante conservador. Voegelin acreditava que mesmo com inegáveis avanços técnicos da civilização moderna o seu caráter imanente e materialista promovia um esquecimento das experiências transcendentais que tornariam a experiência humana universalizavel em Voegelin a modernidade tem um duplo caráter o do incessante progresso material acompanhado pari passu por um retrocesso espiritual. Nesse sentido a filosofia do Sr. Voegelin tem um caráter anamnetico por buscar reavivar a consciência humana como ente participativo de uma ralidade maior, talvez agora seja possível expressar uma crítica por meio de um outro filósofo fundamental Walter Benjamim que também pensava o esquecimento de categorias fundamentais do gênero humano que haviam levado ao nazismo e stalinismo porém ao contrário de Voegelin que contentava-se com a rememoração dessas experiências humanas fundamentais pelas "almas de ouro" dos grandes homens de cultura, porém esses deveriam se abster da participação na práxis política pois estes já participariam uma de ordem metafísica que enseja uma resignação heroica pois o homem saberia que a sua posição material tem um sentido transcendente, para além da raça,classe e gênero. Voegelin se esforçou para não ser político mas acabou por tonarse impolico pois o seu pensamento é incapaz de pensar essas categorias de determinação social que são elementos que produzem diferenciação das formas de acesso ao entendimento dos sistemas de significação do Real, Voegelin tentou ser mais Platônico que o próprio Platão que achava que os filósofos deveram governar, Voegelin ao tentar levar Platão para a crítica da política ideológica do século XX acabou por ficar mais parecidos com um Herbert Spencer místico ao invés de positivista advogando uma espécie de determinismo cosmológico-transcendental com o seu "o homem saber mais sobre si e seu lugar no cosmos". A rememoração elitista de Voegelin, Walter Benjamin nos propõe pensar as condições de "transmissão" cultural para o resgate das categorias de experiência, transmissão que deveria contagiar principalmente os despossuídos, marginalizados, colonizados e escravizados aqueles que até mesmo a humanidade se tentam tomar, Waltee Benjamin que só quando o grau zero da humanidade tiver em mãos os cacos da história a

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