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    Até mais, vejo você amanhã -

    William Maxwell

    Alfaguara
    2010
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788579620034
    Português Brasileiro
    3.5
    61 avaliações
    Leram81Lendo3Querem102Relendo0Abandonos5Resenhas9
    Favoritos1Desejados102Avaliaram61

    Em Até mais, vejo você amanhã, William Maxwell, que foi editor de ficção da revista The New Yorker por 40 anos, escreve sobre a amizade de dois garotos nos anos 1920, subitamente interrompida por um crime passional que choca a comunidade. Numa manhã de inverno, um tiro ecoa numa fazenda da zona rural de Illinois. Um homem chamado Lloyd Wilson é assassinado e a tênue amizade entre dois garotos solitários se esfacela. Passados cinquenta anos, um desses meninos - agora um homem maduro - tenta reconstituir os acontecimentos que levaram ao assassinato. Mas as antigas notícias de jornais trazem apenas dados esparsos e incompletos. O narrador, então, decide recorrer à memória e à suposição. Ao fazê-lo é inevitavelmente atraído mais uma vez para seu amigo perdido, Cletus, o filho do assassino de Wilson que, nos meses que antecederam o crime, testemunhara situações sobre as quais o narrador pode apenas especular. Partindo da memória e da imaginação, das suposições das crianças e das paixões destrutivas de seus pais, William Maxwell compõe em Até mais, vejo você amanhã uma narrativa tocante e precisa, um clássico norte-americano sobre a juventude e a perda.

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    Resenhas (9)Ver mais
    Higor picture
    Higor11/01/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "LENDO PULITZER": sobre quando não é preciso ser mirabolante, revolucionário ou inovador para ser eficiente

    Pode ser apenas uma conclusão minha, obviamente, mas a impressão que William Maxwell me passou com este "Até mais, vejo você amanhã", foi é a de que ele quis apenas escrever uma história das mais simples, colocar no papel um recorte de sua infância ou até mesmo uma ideia que teve, sem que ela fosse revolucionária ou figurasse em importantes prêmios, como foi, de fato, ao figurar na lista de finalistas do Pulitzer de 1981 e marcar presença em outros 5 prêmios estadunidenses. Talvez eu tenha sentido isso por pesquisar sua biografia e ver que, apesar de escritor de renome, Maxwell fez mais sucesso ao trabalhar por 39 anos à frente da seção de ficção da The New Yorker, sendo o responsável por publicar textos - com bastante rigor, relatam - de Vladimir Nabokov, John Updike, Salinger, John Cheever, Eudora Welty, Shirley Hazzard, Isaac Bashevis Singer, dentre outros nomes de peso. Ao se deparar com tais escritos, e colocar o de Maxwell lado a lado, o que se tem é uma prosa tão simples, tão básica, mas que, ainda assim, e justamente por isso, se sobressai à sua maneira, e ganha seu lugar ao sol. Crua, limpa e objetiva, a narração de Maxwell nos apresenta sem rodeios, ao longo das pouco mais de 150 páginas, tanto a união, quanto a ruína da amizade de dois vizinhos: os Wilson e os Smith. Tudo ia bem entre eles, suas esposas e filhos, até que um caso extraconjugal culmina na morte de um deles. Não é spoiler a morte, já abordada na primeira página, nem quem causou tal delito, pois o que o livro quer mostrar é o porquê. Então, o narrador, uma criança amiga de Cletus, filho de Smith, pretende voltar ao passado depois de 50 anos de silêncio e desconforto, para entender exatamente o que aconteceu quando criança, o resultado de tal assassinato na vida do amigo, na sua própria vida e na comunidade como um todo, afinal, a pequena Lincoln, como toda boa cidade interiorana, sabe de tudo e de todos, e tal crime parecia ter sido profetizado por todos, mesmo não evitado, assim como em "Crônica de uma morte anunciada", de Gabriel Garcia Márquez. A escrita de William Maxwell é o grande diferencial de "Até mais, vejo você amanhã", pois não possui um estilo moderno, inovador ou que poderia torná-lo mais culto, erudito e inacessível; pelo contrário, é tão cristalino, tão limpo, que o leitor não precisa de muito esforço para passar as páginas. A eficiência com a simplicidade da escrita é tão nítida, que mesmo sabendo quem matou e quem morreu, o leitor fica aflito ao entender as motivações que levaram ao crime, e conforme as páginas vão se esgotando, a angústia se faz presente ao ter de reviver o que já foi relatado na primeira página, o crime, embora agora com mais detalhes e as justificativas entendidas. Tudo é muito sublime, bem cuidado e elaborado: a amizade tímida, porém genuína, de Cletus e do protagonista, que dá origem ao lindo título, dos amigos que, diariamente se cumprimentam a final de um dia de brincadeiras, na certeza de se reencontraram no dia seguinte, até que o elo é interrompido; a narrativa que, em determinado ponto, dá atenção ao que uma cadela sente em relação ao comportamento dos humanos que a rodeiam e ao que estão fazendo, totalmente diferente de sua rotina de bicho de estimação; a frustração de um matrimônio fadado ao fracasso, mas estruturado em pilares machistas, opressores e violentos dos anos 1920… Enfim, "Até mais, vejo você amanhã" nada tem de original, afinal, tais enredos são facilmente encontrados em quaisquer outros livros, mas ainda assim, é preciso ter tal livro em mãos para entender sua força e encanto em meio a uma tragédia familiar tão assoladora, e como, mesmo podendo ser apenas mais um, ele consegue se destacar. Este livro faz parte do projeto "Lendo Pulitzer".

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 61
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas15%
    • 1 estrelas5%
    William Keepers Maxwell, Jr. profile picture

    William Keepers Maxwell, Jr.

    William Maxwell nasceu em 1908, em Lincoln, no Illinois. Aos 14 anos, sua família mudou-se para Chicago. Lá ele continuou sua educação, mais tarde ingressando na Universidade de Illinois. Publicou seis romances, três coletâneas de contos, um livro de memórias, uma coletânea de ensaios literários e críticas e um livro para crianças. Durante quarenta anos, foi editor de ficção da revista The New Yorker. De 1969 a 1972, presidiu o Instituto Nacional de Artes e Letras. Recebeu a Brandeis Creative Arts Award Medal e, por Até mais, vejo você amanhã, publicado em 1980, o American Book Award e a Howells Medal da Academia Americana de Artes e Letras. Morreu em 2000.

    6 Livros
    2 Seguidores
    Illinois, EUA

    William Keepers Maxwell, Jr.