O presente trabalho analisa a tensão entre o profano e o sagrado em O Valete de Espadas, de Gerardo Mello Mourão, a partir da dispersão existencial da personagem principal, Gonçalo Val-de-Caes, em crise de desterritorializaçao, o que fará com que esta questione todos os seus limites ao perder tudo aquilo que lhe serviria de norte: a casa, a mulher, os amigos e até mesmo o país. Tudo lhe é tomado de uma forma tão rápida, sem tempo de reagir. Somente seu chapéu o acompanha ao longo dos espaços que se vão delineando e ao mesmo tempo "desaparecendo". Dividido em três etapas, este pesquisa detém-se na estrutura interna do romance, a partir de alguns elementos fundamentais do pensamento do século XX, como a razão e a fé e, por último, em sentimentos como a ingratidão e a angústia como descoberta do ser do homem. A partir de imagens fantásticas, O Valete de Espadas sustenta importante reflexão filosófica, um romance que tem intrigado e encantado tantos leitores, não só no Brasil, mas em outros países para os quis foi traduzido.
