O termo herói, que na Antiguidade designava uma personagem fora do comum em função da sua coragem e vitórias sem que por isso ela pertencesse às categorias superiores dos deuses e semideuses, desapareceu da cultura e da linguagem com a Idade Média e o cristianismo no Ocidente. Os homens que a partir de então eram considerados como heróis sem que este termo fosse empregado eram um novo tipo de homem, o santo, e um tipo de governante promovido ao primeiro plano, o rei. (...)
Como foram elevados ao mesmo nível que os homens e as mulheres da Idade Média, eles ilustram também a ausência de fronteiras entre o mundo puramente imaginário e o mundo transformado em fantasia que caracteriza o universo medieval, o qual ignorava qualquer demarcação entre o natural e o sobrenatural, esta terra e o além, a realidade e a fantasia.
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O milagre é reservado a Deus e se manifesta por um ato divino que desafia as leis da natureza. A magia, embora subsista uma forma lícita de magia branca, é essencialmente uma forma condenável de feitiçaria atribuível ou ao inimigo do gênero humano, o diabo, ou aos seus servidores, como os demônios e bruxos. O maravilhoso, mesmo sendo surpreendente e incompreensível, faz parte da ordem da natureza. Em seu livro Otia imperialia, enciclopédia escrita pelo Imperador Otton IV por volta de 1210, o inglês Gervais de Tilbury define o maravilhoso: O que foge à nossa compreensão, embora seja natural. A categoria do maravilhoso não parou de se estender ao longo da Idade Média, pois ela introduzia no território terrestre e humano belezas de certa forma roubadas de Deus pela indústria dos homens.
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