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    Cana-de-açúcar e seus impactos - uma visão acadêmica

    José Lins do Rego

    Canal 6
    2017
    275 páginas
    9h 10m
    ISBN-13: 9788579174216
    Português Brasileiro
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    O cultivo comercial de cana-de-açúcar no Brasil está largamente relacionado ao desenvolvimento econômico, sendo o país responsável por 61,8% das exportações mundiais de açúcar. A maior concentração desse cultivo é no estado de São Paulo, seguido por Goiás e Minas Gerais. Além da produção de açúcar, o Brasil possui lugar de destaque mundial na produção de biocombustível etanol, representando um mercado em constante expansão. Durante a maior crise mundial do petróleo, o governo brasileiro, em parceria com o setor empresarial, propôs a criação do Programa Nacional do Álcool, o PROÁLCOOL, em 1975, para incentivar a produção de álcool combustível. Nos anos seguintes, o principal resíduo da destilação do álcool – a vinhaça – tornou-se um sério problema ambiental pelo seu despejo nos rios (são produzidos de 10 a 14 litros de vinhaça por litro de álcool); no final dos anos 1970, seu despejo em mananciais superficiais foi proibido. Diante da resolução, no início dos anos 1980 começou a ser utilizada na fertirrigação, sendo aplicada diretamente no solo. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) projetados para 2017 revelam, para a Região Centro Sul do país, a produção de 28 milhões de litros de álcool e 34 milhões de toneladas de açúcar para uma área plantada de 9,6 milhões de hectares, somada aos 1,2 do Norte, totalizando 10,8 milhões de hectares no Brasil. Só o estado de São Paulo tem 5,7 milhões de hectares com cana-de-açúcar, o que equivale a mais de 50% de todo o Brasil. Assim, fazendo uma estimativa, São Paulo produz no mínimo 15 milhões de litros de álcool e, no mínimo, 150 milhões de litros de vinhaça. Nesse cenário, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP – lançou em 2008 o Programa de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), o qual “objetiva estimular e articular atividades de pesquisa e desenvolvimento utilizando laboratórios acadêmicos e industriais para promover o avanço do conhecimento e sua aplicação em áreas relacionadas à produção de bioenergia no Brasil”; o programa reúne hoje uma rede de pesquisas acadêmicas, que visa integrar estudos sobre a cana-de-açúcar e outras plantas para produção de biocombustível e biomassa, almejando a sustentabilidade. Dentro dessa área, recentemente promoveu um evento para divulgação com o tema: “Universidades e empresas: 40 anos de ciência e tecnologia para o etanol brasileiro”, mostrando a importância do setor para o estado de São Paulo. Nesse período, a FAPESP apoiou cerca de 710 projetos e bolsas de estudo e pesquisa. Dentro desse contexto, pesquisadores de diferentes instituições de pesquisa e ensino se reuniram para o desenvolvimento de um Projeto Temático, o qual foi apoiado pela FAPESP, entre os anos de 2012 a 2017. O projeto intitulado “AÇÃO DE PRODUTOS EMPREGADOS NO CULTIVO DA CANA-DE-AÇÚCAR SOBRE ORGANISMOS NÃO ALVOS”, processo 2012/50197-2, foi incluído no Programa BIOEN em dezembro de 2015 a convite dos Coordenadores do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), apesar de o tema central do projeto se incluir na Ecotoxicologia. O projeto é multidisciplinar e agrupa pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e UMC (Universidade de Mogi das Cruzes). O projeto integra campos de estudos correlatos e o uso de vários organismos, distribuídos no ar, na terra e na água, para avaliar o impacto das substâncias de grande emprego nessa cultura em organismos não alvos, realizando uma análise abrangente que permita obter uma visão integrada dos efeitos dos diversos produtos fitossanitários utilizados nas áreas agrícolas, particularmente na cultura da cana-de-açúcar, empregando vários modelos biológicos associados a análises físico-químicas. Durante o desenvolvimento do projeto, foram realizados ensaios de percolação de vinhaça em colunas de solo para observação do comportamento desse resíduo no solo e posterior teste do percolado em animais aquáticos; foi verificado que o solo atua como um filtro da vinhaça, diminuindo seu potencial tóxico em diferentes organismos testados. Como a toxicidade da vinhaça foi verificada em diversos organismos, algumas alternativas de tratamento foram testadas com sucesso, como, por exemplo, o ajuste de seu pH (normalmente ácido) para um nível mais neutro. A composição da fauna edáfica em cultivos de cana-de-açúcar foi avaliada indicando que o aporte de matéria orgânica oriundo da aplicação de vinhaça não influencia a riqueza e a estrutura das comunidades de formigas de solo e epigeicas e favorece a abundância de colêmbolos, por exemplo. Foi objetivo também observar a ação de diferentes agroquímicos utilizados na cultura de cana. Nesse sentido, analisou-se o fipronil, o imidacloprido, a atrazina, o 2,4-D, entre outros, aplicados em diferentes bioindicadores não alvos. Dentre esses estudos, foi possível a padronização do teste larval para abelhas africanizadas, que permitiu adequar os experimentos realizados no Brasil ao protocolo proposto pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o qual servirá de parâmetro para todos os testes a serem aplicados às larvas no Brasil. Em peixes, foi possível verificar que mesmo concentrações não letais e realísticas, encontradas em rios brasileiros, induzem alterações hepáticas que podem comprometer a fisiologia dos peixes e dificultar a manutenção das espécies e seu estoque nos rios. Assim, diante da importância do tema, a presente obra traz os principais resultados obtidos no desenvolvimento do projeto acima citado, traçando um breve histórico da cultura de cana-de-açúcar e sua importância para o país, ressaltando impactos positivos sociais e econômicos. Relata os principais agroquímicos empregados na cultura e os diferentes resíduos gerados pela indústria sucroalcooeira, salientando o impacto da fertirrigação da cana-de-açúcar por vinhaça nas propriedades físicas, químicas e hidráulicas do solo, e em corpos d’água por meio do emprego de diferentes organismos não alvos. Ao final, é discutida a cultura da cana-de-açúcar à luz da sustentabilidade, ressaltando a importância da conservação do solo e água, da biodiversidade, a importância da proteção de florestas e matas ciliares e a redução de emissões de CO2, efluentes e resíduos no ambiente. Profa. Dra. Carmem S. Fontanetti Prof. Dr. Odair Correa Bueno Organizadores

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    José Lins do Rego Cavalcanti

    Categorizado como autor "regionalista" e político, Lins do Rego sempre foi dotado de uma "sensibilidade à flor da pele", "sinceridade diante da vida" e "autenticidade". Seu contato com o mundo rural do Nordeste lhe deu a oportunidade de, nostálgica e criticamente, relatar suas experiências.

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    Paraíba, Brasil

    José Lins do Rego Cavalcanti