Com a proposta de promover a articulação do Direito com as Artes, a terceira obra da série organizada por Ângela Barbosa Franco e Maria Antonieta Rigueira Leal Gurgel traz a música como aporte para as reflexões jurídicas que são estabelecidas por diferentes olhares e sob perspectivas diversas. Como aponta o subtítulo da obra, a poética como contributo para a compreensão da justiça pode ser lida como mote do livro, uma vez que é justamente a partir dessa proposta de leitura que os artigos aqui presentes se estabelecendo, fornecendo ao leitor outras formas de se analisar as questões que permeiam o âmbito jurídico.
"A "Vazante da Infomaré" no contexto do teletrabalho", de Ângela Barbosa Franco, é o trabalho que inaugura a obra. A partir da música "Pela Internet", de Gilberto Gil, a autora analisa a questão do teletrabalho com enfoque no advento da Reforma Trabalhista, questionando os limites do controle do trabalho pelo empregador por meios telemáticos. Disso se iniciam as abordagens na relação direito e música, fazendo-se presentes na obra reflexões sobre a questão do direito à moradia, migração, segurança pública, pena de morte, educação, violência doméstica, justiça restaurativa e outros tantos que são dialogados com variados estilos musicais, nacionais e internacionais, pelo que a proposta de intersecção se faz presente de forma notória.
Como bem apontam as organizadoras na apresentação da obra, a "abordagem interdisciplinar permite ao estudioso uma percepção mais acurada do campo teórico e prático sob observação e estudo". Daí que as questões trazidas o livro, que levam em conta as letras, melodia, ritmo e harmonia das canções trabalhadas, repercutem de modo significativo para a construção de um pensamento jurídico mais crítico, até mesmo porque é com acerto que também pontuam que "o direito está na arte e a arte está no direito". Tem-se assim, portanto, uma salutar colaboração para o movimento "Direito e Arte" que avança com cada mais mais ênfase e seriedade no Brasil: o acerto do livro é prova disso!