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    Pedras de Calcutá -

    Caio Fernando Abreu

    Agir
    2007
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788522006885
    Português Brasileiro
    3.9
    404 avaliações
    Leram810Lendo23Querem431Relendo1Abandonos10Resenhas9
    Favoritos32Desejados431Avaliaram404

    Um homem se afoga em seu próprio corpo; borboletas voam da cabeça de um rapaz; um pai recebe cartas anônimas. Os contos da terceira coletânea de Caio Fernando Abreu (1948-96), de 1977, falam do absurdo nas vidas comuns. Em 1977, o escritor e dramaturgo Caio Fernando Abreu, então com 28 anos, organizava sua terceira coletânea de contos, Pedras de Calcutá. O livro assinalava a conclusão de uma trajetória pessoal de independência em relação ao estado natal (Caio ampliara sua carreira jornalística para São Paulo e Rio de Janeiro), ao país (vinha de um período de três anos de auto-exílio em Londres, Estocolmo e Amsterdã) e afirmação de liberdade pessoal e não-submissão ao arbítrio do regime militar. Com tudo isso, tratava-se de uma obra extremamente representativa do que se passara com muitos jovens no mundo todo. Dividindo o volume em dois ciclos, os contos "Mergulho I" e "Mergulho II" assinalam os temas dominantes. De um lado, a vivência quase alucinatória da própria experiência física, objeto de narrativas atormentadas em que o corpo dos personagens suporta o drama de suas vidas. De outro, indivíduos em busca de fatos capazes de oferecer um desfecho para situações tão insuportavelmente em suspenso que toda possibilidade de solução representa ansiedade, tensão e expectativa quase desesperadora. De cada ação se deseja extirpar uma dimensão anterior e conflituosa: da morte, a sua espera (como em "O inimigo secreto"), da decisão, o imobilismo que a antecede ("Divagações de uma marquesa"), do amor, a hesitação ("Aconteceu na praça XV" e "Joãozinho e Mariazinha"). "Pedras de Calcutá é, na sua quase totalidade, um livro de horror"- definiu Caio Fernando Abreu. "Principalmente (mas não unicamente) da minha geração."

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    Resenhas (9)Ver mais
    Gui Mendes  picture
    Gui Mendes 16/08/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Caio sempre surpreende

    Não tem como ignorar o fato de o caio a cada livro de contos novo ele me trás momentos e novas emoções, cada vez que abro um livro novo eu me sinto sem saber se aquele vai superar minhas expectativas por conta dos livros anteriores. Mas sigo da mesma forma que quando lia os outros: a cada novo conto preciso parar por dois minutos no minimo para digerir o que eu acabei de ler. Os contos vão desde momentos bem felizinhos, para momentos hot e também para reflexão de injustiças ou apenas sobre momentos expecificos do dia a dia. É bem interessante como não tem como terminar o livro sem se sentir relacionado a pelo menos um dos personagens que muitas vezes não sabemos nem o nome.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 404
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas1%
    Caio Fernando Loureiro de Abreu  profile picture

    Caio Fernando Loureiro de Abreu

    Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. <br /><br />No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas, São Paulo. <br /><br />Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. <br /><br />Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. <br /><br />Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo. Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. <br /><br />Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde posteriormente veio à falecer.

    51 Livros
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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Caio Fernando Loureiro de Abreu