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    Max Havelaar - Os Leilões de Café da Companhia Holandesa de Comércio

    Multatuli

    Âyiné
    2019
    596 páginas
    19h 52m
    ISBN-13: 9788592649494
    Português Brasileiro
    4.2
    21 avaliações
    Leram28Lendo2Querem100Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos4Desejados100Avaliaram21

    Sou corretor de café e moro na Lauriergracht, no 37. Com essa frase de abertura tanto prosaica quanto memorável começa o maior clássico da literatura holandesa, publicado em 1860, explodindo como se fosse uma bomba dupla: como uma obra-prima literária e um ato de acusação social. Definido como o livro que matou o colonialismo e uma obra de devastadora modernidade, seja pela refinada estrutura narrativa, seja pela força em denunciar crimes que adornam a história do imperialismo ocidental. Não é à toa que quando foi publicado, Max Havelaar (1860) tenha causado um terremoto político e literário, sendo considerado até hoje o principal romance da história da Holanda. Usando o pseudônimo de Multatuli, Eduard Douwes Dekker, um ex-assistente-residente (cargo semelhante ao de vice-governador), denuncia a corrupção e o massacre praticados pelo governo holandês nas então Índias Holandesas, atual Indonésia. Mas não o faz de maneira simples. Batavus Droogstoppel, mercenário corretor de café, recebe uma caixa cheia de manuscritos de um conhecido seu, Max Havelaar, e pega um deles para ler, onde Havelaar conta suas experiências como ex-assistente-residente, lutando contra um sistema político corrompido. Misturando diversos gêneros literários — peça de teatro, poemas, cartas, listas, parábolas, contos, notas, documentos — de forma extremamente inovadora e moderna, Max Havelaar sempre é comparado a Dom Quixote e Tristram Shandy. Segundo o crítico Otto Maria Carpeaux, cujo prefácio consta nesta edição, "o livro ocupa na literatura universal lugar de grande importância". Max Havelaar provocou intensas reformas na política holandesa — "é o livro que matou o colonialismo", segundo o escritor indonésio Pramoedya Ananta Toer, além de ter virado sinônimo de comércio justo — e foi estudado por intelectuais de diversas áreas, como Freud, Lênin, Mahler, Hermann Hesse. Traduzido para mais de quarenta línguas, Daniel Dago traz à luz a primeira tradução direta de Max Havelaar em português.

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    Mario Alberto Cosa Miranda05/09/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Clássico Atemporal

    Max Havelaar é uma obra que compõe diversos estilos literários dentro de si. É primeiramente uma narrativa de Batavus Droogstoppel, que encontra um homem disposto a vender alguns relatos referente ao período em que este trabalho na atual Indonésia; É uma autobiografia do próprio Eduard Douwes Dekker - Multatuli - quando este trabalho para a Coroa Holandesa naquela região; e, por fim, é um veemente discurso contrário ao Colonialismo e aos exageros praticados pelas Metrópoles Europeias contra suas Colônias. Inicialmente pouco conexo, Max Havelaar inicia-se com a história do próprio Batavus, um Comerciante esterotipado: corretor de Café na Bolsa, pouco se importa com a origem e a miséria daqueles que produzem a sua fonte de renda. Após perseguir um "Homem de Xale", mais por piedade (ou desgosto?) do que por empatia, encontra alguns papéis escritos por este Homem, quando da sua estadia na Insulindia. Pede para o seu empregado, de origem alemã, que copie aquele texto como forma de treinar o seu Holandês. Desta forma, conhecemos a história de Max Havelaar, e os exageros, dos quais muitos podem sim serem considerados crimes, realizados em nome da Coroa Holandesa contra os povos que ali habitavam. Multatuli por vezes relega a história para um segundo plano, para colocar sua própria opinião (e sofrimento, e angústia, e raiva,...) sobre a exploração dos povos. Mal remunerados, obrigados a realizarem trabalhos compulsórios para os governantes, roubados de seus bens materiais. Temos um panorama do Colonialismo distinto do nosso em Origem - são Países e Épocas distintas ao Colonialismo que o Brasil sofreu - mas em Essência e Impacto muito análogos ao nosso colonialismo em relação a Portugal. Max Havelaar é um Clássico Atemporal, não apenas na Literatura, onde repousa no posto de Principal Obra da Literatura Holandesa, mas para todos aqueles que se interessam por História, Geopolítica, Relações Internacionais e assuntos correlatos, tão fiel e documentado é o relato deste que "Muito Sofreu" vendo o jugo da população local, sofrendo para sustentar uma Administração que, 85 anos antes da data da sua independência, ele já previa o inexorável fim do domínio holandês onde hoje é a Indonésia.

    8 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 21
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Eduard Douwes Dekker profile picture

    Eduard Douwes Dekker

    Multatuli (o pseudônimo de Eduard Douwes Dekker) nasceu em Amsterdã e serviu como funcionário colonial nas Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia) por quase vinte anos. Seus protestos contra os abusos no sistema colonial holandês levaram a tensão com seus superiores e, finalmente, a sua renúncia em 1856. Ele esperava que o romance <i>Max Havelaar</i> (1860), ao trazer os problemas à atenção pública, levasse a uma reforma significativa e sua reintegração como um oficial sênior. O livro foi um grande sucesso e provocou debates públicos e políticos, levando a mudanças na política colonial, e Multatuli tornou-se um célebre autor. No entanto, ele argumentou que essas mudanças não abordavam verdadeiramente as questões que ele havia exposto e ficou desapontado com o fato de Max Havelaar não tê-lo impulsionado para uma carreira ilustre na administração pública ou na política. Ele finalmente concluiu que o colonialismo holandês estava fadado ao fracasso. A crítica social de Multatuli continuou em sua obra posterior, como a popular peça <i>School for Princes</i> (1872) e a novela semiautobiográfica <i>Woutertje Pieterse</i> (1890), sobre um menino no final do século XVIII em Amsterdã. Hoje ele é considerado o maior escritor da Holanda do século XIX e o pai da literatura holandesa contemporânea. Seus muitos admiradores incluem D.H. Lawrence e Sigmund Freud.

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    Eduard Douwes Dekker