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    A Criação Restaurada - A Base Bíblica da Cosmovisão Reformada

    Albert M. Wolters

    Cultura Cristã
    2019
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788576228745
    Português Brasileiro
    4.3
    74 avaliações
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    uscando apresentar a essência da cosmovisão bíblica e o quanto ela é significante para nossa vida, Albert M. Wolters escreveu esse breve e objetivo exame da cosmovisão reformada. Wolters inicia definindo a natureza e o escopo da cosmovisão, distinguindo-a da filosofia como tal e apontando a grande variedade de cosmovisões propostas dentro da comunidade cristã através da história. Então ele segue esboçando uma análise reformada de três pontos decisivos na história humana: a Criação, a Queda e a Redenção; concluindo que o mal não é condição necessária para o mundo criado e que, portanto, o mundo pode ser restaurado ao estado de perfeição. É responsabilidade cristã, argumenta Wolters, lutar por esse realinhamento com as ordenanças de Deus. Por último, Wolters explora modos pelos quais a cosmovisão reformada é a única capaz de levar o mundo aos padrões prescritos na Bíblia. Ele inclui aplicações práticas, mostrando como os princípios que desenvolveu podem ser aplicados em quatro áreas específicas: a agressividade humana, os dons espirituais, a sexualidade humana e a dança.

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    Fábio Ribas Wanderley Dantas14/12/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A criação restaurada

    “A lei criacional clama para ser expressa em formas novas e surpreendentes. Todo o vasto conjunto da civilização humana não é o espetáculo das aberrações arbitrárias de um capricho evolucionário nem o panorama inspirador das realizações criativas do próprio eu; antes, é a demonstração da maravilhosa sabedoria de Deus na criação e o significado profundo da nossa tarefa no mundo. Somos chamados a participar na obra de Deus na execução do projeto de sua obra-prima”. O livro “A criação restaurada”, de Albert M. Wolters, da Editora Cultura Cristã, tem como crédito ser curto, objetivo e direto. Logo na introdução, o autor já deixa evidente sua intenção. Algumas questões das quais senti falta em Nash e Sire ganham cor neste pequeno livro. Embora Wolters também não enfrente o problema do “pré-teórico”, cabe lembrar que nem o fizeram Nash e Sire. Por outro lado, Wolters já chega mostrando a diferença entre “cosmovisões bíblicas” e “cosmovisão Reformada”. Tanto em Nash, como em Sire, na minha opinião, faltou tratar, aprofundar e relacionar a doutrina da total depravação do ser humano com esse estudo da cosmovisão. E, acredito eu, é nessa relação entre ambas que deveria ser enfrentado o tema sempre constante das inconsistências e das contradições, porque elas têm seu nascedouro no ambiente pré-teórico. Ao que parece, ainda que Wolters leve mais em consideração do que os dois outros autores já citados a questão da natureza humana totalmente depravada, ele também já descarta o pré-teórico. Enfim, pontas permanecerão em aberto até que um outro autor ouse avançar sobre elas. O mais impressionante é que, apesar disso tudo, Wolters assume que a parte mais interessante desse estudo é exatamente as inconsistências das cosmovisões (então, por que não escreve sobre isso, Woltinho?!). Duas premissas são fundamentais: 1) Tudo o que Deus criou é bom; 2) a lei faz parte da Criação e ela é que permite a liberdade. Wow! Este é o ponto de partida mais sensacional já apresentado: é cosmovisão Reformada na veia! Pois, partindo dessas duas verdades bíblicas, tanto a sua leitura da própria bíblia precisa estar atrelada a isso, como, também, a sua visão do mundo! E essas premissas vão gerar uma leitura e interpretação muito específica em meio a tantas outras simples “cosmovisões bíblicas”. E são essas premissas que nos servem também como trampolim para um salto sobre toda a Bíblia, para que possamos ver que ela é um livro de uma única história, a grande história de Deus. Já começamos vendo que a Queda afetou todo o cosmos. Percebamos, pois. Dentro da estrutura da cosmovisão Reformada, o autor está trabalhando com o escopo criação-queda-redenção. Na seção da Queda, o ponto mais importante é fugir do erro do gnosticismo, que entende que o mundo é mau. No mínimo, na história humana, esse ensino errado do gnosticismo tem levado sempre à escolha de algo na criação para o responsabilizar pela maldição que nos assola. E isso ocorre na sexualidade, na política, nas artes, no esporte etc: estamos tentando repetir a terceirização da nossa responsabilidade, atribuindo o mal aos elementos que nos cercam. É aquela velha dicotomia entre o sagrado e o profano. E, indubitavelmente, isto não é o Evangelho. A Criação é boa, foi criada por Deus sendo boa, mas, por causa do pecado, ela agora está corrompida e manchada. Todavia, no plano de Deus, a Criação será redimida! Novos céus e nova terra se farão! As coisas não são más em si mesmas: o mundo não é mau, o corpo não é mau, o trabalho não é mau. A Criação atingida pelo pecado, que a Bíblia chama de “mundo”, tem sua distorção, corrupção e escravidão na rebeldia do ser humano em não querer viver sob a lei criacional de Deus! Finalmente, a Redenção se apresenta como a recuperação da bondade criacional por meio da anulação do poder do pecado e do conseguinte esforço rumo à remoção progressivade seus efeitos em todas as áreas e lugares. Retornamos por meio da cruz, porque apenas a expiação de Cristo lida com o pecado e com o mal eficazmente em sua raiz. A versão do Evangelho segundo Marcos acerca da Grande Comissão nos manda “pregar o evangelho a toda criatura”, porque em toda parte há necessidade de libertação do pecado. Contudo, a grande ideia de cosmovisão aplicada pelo autor está na ideia “do que era para ser, mas o que acabou sendo”. Em outras palavras, o autor chama isso de estrutura e direção. Assim, todas as coisas deveriam passar por essa tomada de consciência por parte do Reformado. Exemplo: a dança é em si algo ruim? A dança faz parte da estrutura artística criacional, mas acabou sendo deturpada naquilo que se tornou por causa do pecado. “Quando olhamos através das lentes corretivas da Escritura, percebemos que, em todos os lugares, as coisas da nossa experiência começam a se revelar como criadas, sob a maldição do pecado, e ansiando pela redenção”. Assim, diz o autor, que a nossa tarefa básica é discernir estrutura e direção. “A estrutura denota a “essência” de algo criado, o tipo de criatura que é pela virtude a lei criacional de Deus. A direção, pelo contrário, refere-se ao desvio pecaminoso dessa ordenança estrutural e conformidade renovada a ela em Cristo”. Portanto, como cristãos, somos chamados para essa batalha direcional. Outra ideia importante do livro para mim é que o autor faz a associação direta entre a palavra “reforma” e “santidade”. Então, reformar é trazer as coisas aos pés da cruz, separar do uso ordinário para o uso extraordinário, que é a glorificação do Senhor. Nunca gostei da palavra “redimido”, mas “santificado” cai bem para a proposta da cosmovisão reformada. Nas palavras do próprio autor, como devemos ver essa santificação? “…o evangelho é uma influência de fermentação na vida humana onde quer que ela esteja, uma influência que devagar, mas constantemente, provoca mudança de dentro para fora. O evangelho afeta o governo de uma maneira especificamente política, as artes, de uma maneira peculiarmente estética, o conhecimento, de uma maneira singularmente teórica e as igrejas, de uma maneira distintamente eclesiástica. Ele faz com que seja possível a renovação de cada área criacional a partir de dentro, não de fora”. Por fim, há um método nessa avaliação de todas as coisas e, quando digo “todas as coisas”, refiro-me à família, à igreja, ao Estado, às artes etc. Uma das tantas ótimas ideias do livro é que “como todas as criaturas de Deus, as instituições sociais foram criadas “segundo a sua espécie”. Cada instituição tem natureza e estrutura criacional distintas”, explica-nos o autor. Por fim, a pergunta fundamental da nossa cosmovisão é: “Qual é a maneira mais efetiva de trazer reforma e santificação à determinada área da minha vida?”.

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